Rede expulsa dirigente ligada a Marina Silva
Decisão da cúpula partidária agrava embate entre alas da legenda
A direção nacional da Rede Sustentabilidade determinou na quinta-feira, 14, a expulsão de Iaraci Dias do quadro partidário. Copresidente da legenda e integrante do grupo político da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, ela foi punida após deliberação do Conselho de Ética.
Giovanni Mockus, também aliado de Marina e então coordenador de finanças do partido, perdeu o cargo de direção. Ambos são pré-candidatos a deputado federal e alegam perseguição política.
Penas divergem do que o Conselho de Ética recomendou
A sequência das punições chamou atenção pelo descompasso entre o que o órgão interno recomendou e o que a cúpula decidiu aplicar.
No caso de Iaraci, o Conselho sugeriu suspensão — medida menos grave —, mas o diretório nacional optou pela expulsão. Já para Mockus, o caminho foi inverso: o Conselho indicava a expulsão, e a direção reverteu a decisão para uma suspensão do cargo.
O porta-voz da Rede, Paulo Lamac, afirmou que “todas as circunstâncias são levadas em consideração” e que “o procedimento é estatutário e cotidiano”. A cúpula justificou a gravidade da punição aplicada a Iaraci alegando tratar-se de violência política agravada pelo fato de a vítima ser mulher.
Ala de Marina contesta processo e fala em afronta
O grupo político ligado à ex-ministra reagiu com críticas ao resultado. Em nota, a ala de Marina classificou a expulsão de Iaraci como “sanha autoritária” e afirmou que não houve apresentação de provas de qualquer infração ética ao longo do processo.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o grupo sustenta que “a expulsão, fora da janela eleitoral, extrapola os limites da vida interna partidária e representa afronta a direitos constitucionais fundamentais”. A própria Iaraci declarou ter sido punida por defender os princípios e valores da Rede.
O partido é controlado pela ala da deputada federal Heloísa Helena (RJ), que há algum tempo vive tensão com o grupo de Marina Silva. O conflito, que agora se materializa em medidas disciplinares, coloca em disputa não apenas cargos internos, mas também o posicionamento da legenda no horizonte eleitoral.
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