Mendonça vai ‘puxar a orelha’ da PF para estancar vazamentos
O Intercept Brasil revelou que Vorcaro teria prometido ao senador um aporte de 134 milhões de reais para financiar “Dark Horse”
O relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, terá nesta sexta-feira, 15, uma reunião de emergência com integrantes da Polícia Federal (PF) para apurar vazamentos de trechos dos inquéritos que miram o banqueiro Daniel Vorcaro.
Como mostramos, com base em conversas vazadas, o Intercept Brasil revelou que Vorcaro teria prometido ao senador um aporte de 134 milhões de reais para financiar “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Pelo menos 61 milhões de reais foram pagos via Banco Master para a empresa usada no projeto.
E a suspeita da PF agora é que parte desse recurso tenha sido utilizado para bancar a vida de Eduardo Bolsonaro no Texas, Estados Unidos.
Conforme apurou O Antagonista, esse vazamento incomodou o ministro do Supremo. Na visão dele, os vazamentos podem atrapalhar as investigações. A pessoas próximas, Mendonça citou o constrangimento causado pelo vazamento das conversas de Daniel Vorcaro por parte da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A reunião de André Mendonça e os agentes ocorre após a bancada bolsonarista na Câmara ter acionado tanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir investigação sobre “vazamentos seletivos”.
Em ofício encaminhado ao ministro-relator André Mendonça e ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, o parlamentares como Hélio Lopes (PL-RJ) pedem que os órgãos façam o rastreio dos vazamentos e identifique eventuais responsabilidades criminais, funcionais ou administrativas.
No documento, Helio Lopes — conhecido como “Helio Negão” — escreve o nome de Kassio com a letra “C”.
“Diante da gravidade dos recentes vazamentos de informações sigilosas relacionadas a investigações em curso, venho requerer a adoção imediata de providências para apuração rigorosa da origem das divulgações realizadas publicamente”, afirma.
Segundo o deputado, os vazamentos representam risco à “estabilidade democrática, à normalidade do processo eleitoral e à própria credibilidade das instituições públicas brasileiras”.
“Vazamentos seletivos de informações protegidas por sigilo legal ou judicial possuem elevado potencial de interferência indireta no debate político-eleitoral, especialmente quando divulgados de forma fragmentada, fora do contexto processual adequado e em momentos sensíveis do cenário nacional”, acrescenta o documento.
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