Alunos da Unesp e da Unicamp aderem à greve
Movimento que nasceu na USP em abril chega às outras duas universidades estaduais paulistas, com cerca de um terço dos cursos sem aulas
Aproximadamente 63 cursos das universidades estaduais Unicamp e Unesp estão sem atividades acadêmicas, resultado da expansão de uma greve iniciada na USP (Universidade de São Paulo) em 14 de abril.
Estudantes das três instituições exigem ampliação do orçamento destinado à permanência estudantil, reajuste nos valores das bolsas e contratação de novos docentes e servidores. Uma marcha ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, está marcada para 20 de maio.
Adesão cresce campus a campus
Segundo a Folha de S.Paulo, a Unesp — que mantém unidades em 24 municípios — registra 42 cursos paralisados em 6 campi, o equivalente a 30% de sua oferta total de 136 graduações. O Instituto de Artes, na capital paulista, está ocupado por alunos. Em Araraquara, assembleia realizada na terça-feira, 12, reuniu mais de mil estudantes; desse total, 833 votaram pelo ingresso na greve.
Na Unicamp, a unidade de Limeira está paralisada. Em Campinas, aderiram ao movimento cursos como economia, artes cênicas, visuais, dança, música, midialogia, fonoaudiologia, arquitetura e urbanismo e engenharia mecânica. Ao todo, 21 das 65 graduações da universidade — 32% — estão sem aulas.
Demandas, negociações e tensão na USP
O estopim do movimento foi a concessão de uma gratificação mensal de R$ 4.500 a docentes da USP sem contrapartida equivalente às demais categorias de servidores. Trabalhadores entraram em greve, e estudantes se solidarizaram. Após acordo entre servidores e reitoria, os funcionários encerraram a paralisação, mas os alunos permaneceram mobilizados.
As principais reivindicações incluem o reajuste do auxílio integral do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) de R$ 885 para R$ 1.804 — valor equivalente ao salário mínimo paulista. A reitoria da USP, por sua vez, propõe correção pelo índice IPC-Fipe, o que elevaria o benefício a R$ 912 mensais.
Diante da recusa da administração em retomar o diálogo, estudantes ocuparam o prédio central da universidade.
Na madrugada do dia 11, a Polícia Militar conduziu uma operação com cerca de 50 agentes para desocupar o espaço, onde estavam aproximadamente 150 alunos. Cinco pessoas foram hospitalizadas e quatro, detidas.
Após o episódio, a reitoria da USP constituiu uma comissão para retomar as negociações.
O que dizem as reitorias
A reitoria da Unesp, comandada por Maysa Furlan, informou que, em 2025, mais de 7.700 estudantes de graduação receberam algum tipo de auxílio — mais de 20% dos matriculados. O orçamento para permanência estudantil em 2026 é de R$ 110,7 milhões. A nota institucional afirma que “o financiamento público das universidades estaduais paulistas tem de ser prioridade para todos que reconhecem a liderança de São Paulo na pesquisa científica e tecnológica nacional”.
A reitoria da Unicamp, liderada por Paulo Cesar Montagner, declarou respeitar os princípios democráticos e garantiu que “as atividades essenciais da universidade transcorrem normalmente”, reafirmando o compromisso com a negociação.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)