Irã intercepta navio e tensão cresce no Estreito de Ormuz
Incidente com embarcação suspeita ocorre um dia após cargueiro indiano afundar na costa de Omã
Militares iranianos interceptam nesta quinta-feira, 14, uma embarcação identificada como Hui Chuan, com bandeira de Honduras, no Golfo de Omã. O navio, descrito como um “depósito flutuante de armas” para uso de empresas de segurança marítima, agora segue em direção às águas territoriais do Irã.
O episódio eleva o nível de instabilidade no Estreito de Ormuz, já afetado pelo naufrágio de um cargueiro de bandeira indiana na quarta-feira.
Apreensão no Golfo de Omã
Segundo a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard, o Hui Chuan foi interceptado por forças iranianas e encaminhado ao território do país. A Organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) confirmou que a embarcação se deslocava em direção às águas iranianas.
Dados de rastreamento analisados pela BBC e pela plataforma MarineTraffic indicam que o navio transmitiu sua última localização a cerca de 70 km a nordeste de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com informações da Vanguard, a embarcação permaneceu durante o último mês na costa nordeste de Omã e dos EAU. Seus operadores afirmam que ela servia como ponto de armazenamento de armamentos utilizados por equipes de segurança contratadas para proteger navios mercantes contra-ataques de piratas.
Naufrágio do Haji Ali agrava o cenário
O incidente com o Hui Chuan ocorre horas após o naufrágio do Haji Ali, cargueiro de bandeira indiana que transportava gado. Segundo a Vanguard, um incêndio a bordo obrigou os 14 tripulantes a abandonar a embarcação antes que ela afundasse. Autoridades indianas atribuíram a explosão à ação de um drone ou míssil.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia emitiu nota de protesto: “O ataque a um navio de bandeira indiana na costa de Omã ontem é inaceitável, e deploramos o fato de que a navegação comercial e os marinheiros civis continuem sendo alvos”. A pasta acrescentou que todos os tripulantes indianos foram resgatados pelas autoridades de Omã.
Disputa pelo controle do estreito
A região vive um período de tensão persistente. Desde 28 de fevereiro, o Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, por onde circula normalmente um quinto do comércio global de petróleo e gás. Os EUA respondem com um bloqueio aos portos iranianos, mantido mesmo após o cessar-fogo parcial estabelecido em 8 de abril.
No início de maio, Teerã anunciou a ampliação de sua zona de controle no estreito, abrangendo a fronteira iraniana até Fujairah e Umm al-Quwain, nos EAU.
De acordo com a Vanguard, dez navios conseguiram atravessar o estreito desde o domingo anterior — número ainda abaixo dos patamares registrados antes do conflito. Na semana anterior, o Irã já havia apreendido um petroleiro suspeito de transportar petróleo iraniano sancionado, alegando que buscava “explorar as condições regionais”.
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