“Você é um grande líder”, diz Trump a Xi Jinping
Líderes das duas maiores potências mundiais se reuniram em Pequim e definiram novo enquadramento diplomático bilateral
“Você é um grande líder. Eu digo isso a todo mundo”, disse o presidente Donald Trump ao cumprimentar o governante chinês, Xi Jinping.
Os líderes de EUA e China realizaram nesta quinta-feira, 14, uma reunião de aproximadamente duas horas em Pequim, capital chinesa. Ambos concordaram que a relação entre os dois países hoje é “construtiva, estratégica e estável”.
O encontro abrangeu temas como comércio bilateral, fornecimento de energia e a situação do Irã, segundo a BBC News.
Cerimônia e agenda do dia
Trump desembarcou em Pequim acompanhado de uma delegação que com cerca de 30 executivos de grandes empresas americanas, entre eles Elon Musk, da Tesla, Tim Cook, da Apple, e Jensen Huang, da Nvidia. A comitiva foi recebida com honras militares do lado de fora do Grande Salão do Povo, com salva de tiros e execução do hino nacional americano.
Após a reunião, os dois presidentes visitaram o Templo do Céu, conjunto arquitetônico do século 15 localizado em Pequim. À noite, Xi ofereceu um banquete de Estado a Trump e à delegação americana.
No jantar, Xi afirmou que as relações entre China e Estados Unidos são “as mais importantes relações bilaterais do mundo”, representando uma população conjunta de 1,7 bilhão de pessoas.
O presidente chinês também disse que o slogan “Grande Rejuvenescimento da Nação Chinesa” e o “Make America Great Again” podem caminhar juntos.
Trump, por sua vez, descreveu as conversas anteriores entre os dois países como “extremamente positivas” e chamou as negociações atuais de uma oportunidade “preciosa”.
Ao encerrar o evento, Trump convidou Xi a visitar a Casa Branca em setembro.
Irã, Taiwan e comércio
Entre os pontos mais importantes das conversas, o conflito no Irã ocupou parte da agenda. O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o transporte de energia, gerou instabilidade na economia global, e Washington busca o apoio de Pequim para pressionar Teerã.
De acordo com a BBC News, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou antes da viagem: “É do interesse deles resolver isso. E esperamos convencê-los a desempenhar um papel mais ativo”.
O comunicado divulgado pela Casa Branca após o encontro informou que “ambos os países concordaram que o Irã nunca deve ter uma arma nuclear” e que “o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o fluxo livre de energia”.
A questão de Taiwan também foi mencionada. Xi alertou Trump que o tema pode levar os dois países a um confronto — declaração divulgada pela mídia estatal chinesa.
Quando repórteres perguntaram aos dois líderes sobre Taiwan durante a visita ao Templo do Céu, nenhum deles respondeu.
No campo comercial, o comunicado da Casa Branca indicou que os dois lados “discutiram formas de ampliar a cooperação econômica”, incluindo maior acesso de empresas americanas ao mercado chinês e investimentos chineses em setores industriais americanos. Xi sinalizou que a China pode estar disposta a ampliar as compras de soja, carne bovina e aeronaves da Boeing.
Contexto e próximos passos
A visita aconteceu em um momento de tensão histórica entre os dois países. No auge da guerra comercial travada no ano anterior, as tarifas mútuas ultrapassaram 100%. Uma trégua posterior arrefeceu o conflito, mas ainda não foi substituída por um acordo definitivo — e a durabilidade desse cessar-fogo é uma das principais interrogações que cercam a cúpula.
A China enfrenta desafios econômicos de ordem estrutural, como desemprego em alta, crescimento desequilibrado, uma crise no setor imobiliário e elevado endividamento dos governos locais. Os Estados Unidos, por sua vez, registram queda nos índices de aprovação de Trump, o que aumenta a pressão sobre o presidente para que apresente resultados concretos ao eleitorado americano.
Segundo a BBC News, o pesquisador John Delury, do Centro de Relações EUA-China da Asia Society, avalia o momento como de profunda transformação: “Estamos testemunhando uma mudança histórica”.
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