O tipo sanguíneo mais raro do mundo ficou ainda mais estranho: apenas 3 pessoas na Terra o possuem
Variante genética inédita pode alterar diagnósticos, transfusões e o entendimento moderno sobre o sistema ABO.
Um tipo sanguíneo encontrado em apenas três pessoas no planeta inteiro está desafiando décadas de certezas na biologia humana. O B(A) não se encaixa no sistema ABO convencional e levanta uma pergunta incômoda: quantas outras variações como essa ainda existem sem que a ciência saiba?
O que é o tipo sanguíneo B(A) e por que ele confunde os médicos
Identificado em 2025 durante exames em um hospital na Tailândia, o B(A) apresentou algo que os testes padrão não estavam preparados para detectar. Os indivíduos tinham predominantemente antígenos B nas hemácias, mas também pequenas quantidades de antígenos A — uma combinação que não existe nas classificações convencionais.
O estudo foi publicado na revista Transfusion and Apheresis Science e envolveu três pessoas: um paciente e dois doadores. Segundo os pesquisadores, as discrepâncias foram distintas mesmo entre indivíduos da mesma etnia, o que é incomum e raramente observado em triagens de rotina.

A origem genética de uma anomalia sem precedentes
Para entender o fenômeno, os cientistas foram até o gene ABO no cromossomo 9. O que encontraram surpreendeu: os três indivíduos compartilhavam quatro alelos específicos que nunca haviam sido registrados em variantes conhecidas de tipos sanguíneos.
Essas diferenças genéticas alteram a forma como os antígenos são sintetizados nas hemácias, resultando em uma expressão híbrida. O dado mais intrigante é que as três mutações eram idênticas entre si — e não correspondiam a nenhuma forma previamente catalogada na literatura científica.

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Tipos sanguíneos raros que poucos já ouviram falar
O O negativo é conhecido como doador universal, mas está longe de ser o tipo mais raro. A ciência já documentou variações extremamente incomuns que surpreendem até especialistas. Veja alguns exemplos:
- Rh nulo, chamado de “sangue de ouro”, não possui nenhum dos antígenos Rh e é encontrado em cerca de 50 pessoas no mundo
- Gwada negativo, registrado em apenas uma única pessoa até hoje
- B(A), a descoberta mais recente, eleva o número de variantes de grupos sanguíneos conhecidas para 48
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Paulo Jubilut falando sobre o tipo sanguíneo mais perigoso.
Por que isso importa para transfusões e diagnósticos
A ambiguidade do B(A) não é apenas uma curiosidade científica — ela tem implicações práticas reais. Em situações de emergência, onde a precisão da tipagem sanguínea pode ser a diferença entre a vida e a morte, uma variante não detectada pelos testes convencionais representa um risco concreto.
“Esta descoberta destacou a influência das condições e da terapia do paciente na tipagem ABO anômala. Os indivíduos B(A) identificados neste estudo apresentavam alterações genéticas idênticas que diferiam de todos os alelos antecedentes do fenótipo B(A).”Autores do estudo publicado na Transfusion and Apheresis Science
O que vem a seguir nessa descoberta sem paralelo
Os pesquisadores alertam que podem existir mais casos de B(A) no mundo — apenas não identificados ainda. O fato de a variante ter aparecido em três pessoas distintas sugere que ela pode ser menos isolada do que pareceu inicialmente. Estudos futuros precisarão investigar as consequências estruturais e funcionais da enzima AB transferase mutada, responsável pela expressão híbrida dos antígenos.
Esse achado é um lembrete de que o corpo humano ainda guarda segredos que a medicina não mapeou. Se você tem histórico de resultados atípicos em exames de sangue ou pertence a grupos étnicos sub-representados em pesquisas genéticas, vale conversar com um especialista sobre tipagem sanguínea avançada. A ciência está apenas começando a entender o que circula em nossas veias.
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