Dólar encosta em R$ 5 após áudio vazado entre Flávio e Vorcaro
Moeda americana atinge maior cotação do dia impulsionada por reportagem sobre Flávio Bolsonaro, pesquisa eleitoral e inflação nos EUA
O mercado financeiro brasileiro registrou forte turbulência na tarde desta quarta-feira, 13, com o dólar chegando a R$ 5 na cotação máxima do dia. A combinação de uma denúncia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, um levantamento eleitoral desfavorável à oposição e dados econômicos adversos vindos dos Estados Unidos pressionou simultaneamente câmbio, juros e Bolsa de Valores.
Reportagem deflagra piora dos ativos
Segundo informações do Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro manteve contatos com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, com o objetivo de reunir R$ 134 milhões para financiar a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A divulgação da reportagem ao longo da tarde acelerou a desvalorização do real, que operava próximo a R$ 4,90 antes da publicação e fechou a sessão cotado a R$ 4,9851 — alta de 1,83% no dia.
Os juros futuros acompanharam o movimento. O contrato do DI com vencimento em janeiro de 2029 avançou para 14,075%, enquanto o papel com vencimento em janeiro de 2033 atingiu 14,20% — ambos acumulando mais de 30 pontos-base de alta na sessão. O Ibovespa renovou a mínima do dia e encerrou em queda de 1,46%, aos 177.713 pontos.
Cenário eleitoral e exterior ampliam pressão
O mercado já havia reagido desde a manhã de hoje, antes da reportagem. Uma pesquisa divulgada pela Genial/Quaest mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 42% contra 41%. O resultado reduziu as expectativas do mercado em relação a uma eventual mudança no comando do Executivo federal após as eleições de 2026.
Dados de atividade econômica interna também contribuíram para o ambiente negativo. Números do varejo acima das projeções reforçaram a percepção de que o Banco Central terá menos margem para reduzir a taxa Selic.
“Há uma conjunção de fatores no mercado de juros hoje, com mais um dado de atividade mostrando resiliência e a pesquisa indicando melhora de Lula”, afirmou ao Globo Milena Landgraf, CIO macro e sócia da Jubarte Capital.
No plano externo, a inflação nos Estados Unidos veio acima do esperado, sustentando o fortalecimento global do dólar.
O índice DXY — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas — subia 0,23%, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançavam diante de apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros no próximo ano.
As bolsas dos EUA operaram de forma mista: o Dow Jones recuou 0,10%, mas S&P 500 e Nasdaq avançaram 0,76% e 1,41%, respectivamente, sustentados por ações de tecnologia como NVIDIA e Micron Technology.
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Comentários (1)
Clayton de Souza Pontes
13.05.2026 17:39Será que isso basta pra caracterizar o Flávio r@chadinha? Ainda dá tempo do Zema, Caiado ou Renan se imporem