Candidato promete reprimir distúrbios “com mão de ferro” na Colômbia
Abelardo de la Espriella, nome da direita e segundo nas pesquisas, defende medidas radicais contra o tráfico de drogas e distúrbios sociais
O advogado colombiano Abelardo de la Espriella, principal candidato de direita nas eleições presidenciais do país, anunciou nesta terça-feira, 12, que, caso vença o pleito, dará ordens para destruir aeronaves e embarcações envolvidas no transporte de entorpecentes.
A declaração foi feita em entrevista à Caracol Television, a menos de três semanas do primeiro turno, marcado para 31 de maio. De la Espriella ocupa a segunda posição nas pesquisas de intenção de voto, atrás do senador de esquerda Iván Cepeda, do mesmo partido do atual presidente Gustavo Petro.
Propostas além dos limites legais
Na entrevista desta terça-feira, o candidato afirmou que vai “abater todos os aviões carregados de drogas que saírem da Colômbia” e “afundar todos” os barcos de narcotraficantes nas costas do Caribe e do Pacífico.
Ele também defendeu bombardeios e fumigação de plantações — práticas proibidas pela legislação colombiana — e se disse disposto a mantê-las independentemente das restrições jurídicas vigentes.
De la Espriella ainda afirmou que ordenará às forças de segurança que respondam com força em protestos violentos: “Se alguém tentar matar um policial, o policial tem que se defender e imobilizá-lo”.
Sobre manifestantes de grupos minoritários, declarou não fazer distinção: “Qualquer um que sair por aí causando distúrbios e atacando a mim, ao povo ou às forças públicas, eu vou reprimir com mão de ferro”.
Contexto político e polêmicas pessoais
A Colômbia atravessa o período de maior violência em dez anos. A oposição atribui o agravamento ao governo Petro, cuja política de “paz total” — voltada à negociação com grupos armados — não apresenta avanços três meses após a troca de governo e gerou tensões diplomáticas com os Estados Unidos.
O perfil de De la Espriella também é alvo de questionamentos. O advogado é conhecido por ter defendido traficantes de drogas e Alex Saab, apontado como operador financeiro do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Quando confrontado sobre ética profissional durante a entrevista, respondeu: “A ignorância é atrevida”.
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