Sanções da UE “expõem sua falência moral”, diz Netanyahu
União Europeia sanciona colonos israelenses na Cisjordânia; mudança de governo em Budapeste desbloqueou medida
A União Europeia anunciou nesta segunda-feira, 11, a aplicação de sanções contra colonos israelenses que na Cisjordânia, encerrando um impasse que se arrastava há meses dentro da União Europeia.
A medida tornou-se viável após a posse, no sábado, 9, do novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, que substituiu Viktor Orbán — até então o principal obstáculo à iniciativa, por sua proximidade com o governo do premiê israelense Binyamin Netanyahu. As sanções também atingem integrantes do Hamas, segundo a UE, embora os nomes dos alvos não tenham sido divulgados.
Reação de Tel Aviv
O governo israelense respondeu ao anúncio com críticas diretas ao bloco. Em publicação nas redes sociais, o gabinete de Netanyahu afirmou que a UE “expõe sua falência moral ao estabelecer uma falsa simetria entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas”, em referência à inclusão de membros do grupo palestino entre os sancionados.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, foi além e descartou qualquer efeito prático da medida sobre a política de ocupação. “A iniciativa dos assentamentos não será dissuadida. Continuaremos a construir, a plantar, a defender e a colonizar por toda a terra de Israel”, declarou, chamando o bloco europeu de “união antissemita”.
De quem é a Cisjordânia?
A Cisjordânia é reconhecida pela maioria da comunidade internacional — inclusive o Brasil — como território palestino. A região esteve sob controle jordaniano até 1967, quando Israel passou a ocupá-la após a Guerra dos Seis Dias.
Os Acordos de Oslo, firmados em 1993, dividiram o território em três zonas administrativas; a maior delas permanece sob controle exclusivo de Israel e concentra a maioria dos assentamentos judaicos.
Esses assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional e, em determinados casos, pela própria legislação israelense. Ainda assim, a política do atual governo — sustentado por uma coalizão de direita — tem ampliado as ocupações. Em 2024, Israel incorporou formalmente ao seu território uma extensão de terra na Cisjordânia superior à soma dos 23 anos anteriores.
Violência no território
No plano concreto, a convivência entre colonos e palestinos é marcada por episódios frequentes de violência. Em março deste ano, segundo a organização israelense de direitos humanos B’Tselem, colonos invadiram uma propriedade ao sul de Hebron e atiraram contra dois homens, um dos quais morreu em seguida. Dias depois, em Nablus, outro ataque feriu ao menos três palestinos e matou um.
Os números acumulados ilustram a dimensão do problema: de janeiro de 2025 ao fim de março de 2026, o escritório humanitário da ONU registrou 273 palestinos mortos na Cisjordânia em confrontos com colonos ou forças de segurança israelenses. Entre as vítimas, 62 eram crianças. No mesmo intervalo, 17 israelenses morreram no território, incluindo uma criança e seis integrantes das forças de segurança.
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Comentários (1)
A Europa está impregnada por ideologias..