Rodolfo Borges na Crusoé: A Ilíada de Roger Machado
São Paulo violou máxima essencial ao demitir Crespo, e a punição dos deuses do futebol pesa mais sobre o treinador que o substituiu
O rapto de Helena de Troia é tido como uma das piores decisões da história.
Com a ajuda de Afrodite, deusa do amor, Páris seduz a filha de Zeus, que era casada com Menelau, rei de Esparta, e a leva para Troia. O sequestro, que é tido também como fuga, dá início a uma guerra de nove anos, cujo fim, com o famigerado Cavalo de Troia, é contado por Homero em A Ilíada.
Guardadas as proporções das quatro linhas do campo de futebol, a demissão de Hernán Crespo pela diretoria do São Paulo tem a grandeza trágica do rapto de Helena.
O time estava ganhando
O presidente interino Harry Massis, o diretor de futebol Rui Costa e o auxiliar Rafinha desafiaram a principal máxima do esporte ao tomar a decisão de mandar embora o treinador do time líder do Campeonato Brasileiro: em time que está ganhando, não se mexe.
Pior: Crespo não estava apenas ganhando como treinador do São Paulo; ele tinha virado uma referência moral em um clube que vive a pior crise institucional de sua história de quase 100 anos.
O técnico argentino caiu nas graças da torcida por dizer a verdade em um clube no qual todos se acostumaram a mentir — o presidente Júlio Casares caiu, vítima do primeiro processo de impeachment da história do São Paulo, porque se recusou a admitir que o time não tinha condições de disputar títulos enquanto fechava os cofres para tentar sanear suas contas.
Lucidez
Crespo teve a grandeza e a lucidez de admitir, inclusive, que o São Paulo provavelmente não seria campeão sob…
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