“O Desenrola já não deu certo uma vez”, critica Adriana Ventura
Parlamentar questiona se programa de renegociação de dívidas atingiu metas e pede transparência sobre nova versão
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) formalizou um pedido de informações ao Ministério da Fazenda, sob o comando do ministro Dario Durigan, exigindo dados sobre o desempenho da primeira edição do Desenrola Brasil, lançada em 2023, e esclarecimentos sobre a nova versão do programa, recém-anunciada pelo governo federal.
Dias após o lançamento oficial do Novo Desenrola Brasil 2.0 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, milhares de brasileiros endividados ainda não conseguiram acessar as condições de renegociação prometidas pelo governo federal.
Instabilidades à parte, a deputada questiona a oportunidade – no caso, o oportunismo – político da proposta: “O Desenrola já não deu certo uma vez, por que agora daria certo? É mais uma medida populista, eleitoreira e enrolada deste governo. Usa dinheiro dos próprios trabalhadores para tentar salvar caloteiros. E no final, não salva os caloteiros e prejudica todo mundo”, afirmou Ventura.
Dívidas renegociadas, inadimplência persistente
A primeira edição do Desenrola Brasil registrou R$ 53,2 bilhões em dívidas renegociadas. Apesar do volume expressivo, dados do Banco Central apontam que, para cada R$ 1 renegociado pelo programa, surgiram R$ 1,15 em novas dívidas em atraso — indicador que alimenta as dúvidas da parlamentar sobre a efetividade da iniciativa. Após o encerramento da primeira fase, o estoque de inadimplência voltou a se expandir.
Ventura também questiona se houve avaliação oficial do impacto do programa na redução da inadimplência no país e se as metas estabelecidas no início foram, de fato, alcançadas.
Transparência em debate
O requerimento de informações é um instrumento parlamentar que obriga o Executivo a responder formalmente ao Congresso. A deputada busca, entre outros dados, o perfil socioeconômico dos beneficiários atendidos nas duas edições do programa.
O Ministério da Fazenda não se pronunciou publicamente sobre o pedido até o momento da publicação desta reportagem.
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