Nova pílula diminui reincidência de derrame cerebral
Comprimido com telmisartana, anlodipino e indapamida reduz em 39% os episódios recorrentes em sobreviventes de AVC hemorrágico
Uma pesquisa publicada no periódico científico The New England Journal of Medicine indica que pacientes sobreviventes de hemorragia intracerebral que tomaram um comprimido com três medicamentos anti-hipertensivos em doses reduzidas tiveram chances significativamente menores de sofrer um novo acidente vascular cerebral.
O ensaio clínico, conduzido em 61 hospitais distribuídos por 12 países, acompanhou 1.670 voluntários ao longo de dois anos e meio e comparou os efeitos da pílula combinada com os de um placebo.
Como o estudo foi conduzido
O ensaio, batizado de Trident, dividiu os participantes em dois grupos: 833 receberam a pílula tripla e 837 tomaram placebo, mantendo todos as medicações que já usavam.
O comprimido reúne telmisartana 20 mg, anlodipino 2,5 mg e indapamida 1,25 mg — três fármacos de uso consolidado no tratamento da pressão arterial elevada, porém com mecanismos de ação distintos. A telmisartana bloqueia receptores do hormônio angiotensina; o anlodipino impede a entrada de cálcio nas células musculares dos vasos; e a indapamida aumenta a eliminação de líquidos pela urina, reduzindo o volume de sangue em circulação.
Octávio Pontes Neto, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e integrante do grupo de pesquisa, explica a lógica da formulação: “Os efeitos são somados por vias distintas, o que ajuda a baixar a pressão de forma mais eficiente”.
Resultados e impacto clínico
Ao final do acompanhamento, a recorrência de AVC foi de 4,6% entre os que usaram a pílula tripla, ante 7,4% no grupo placebo — diferença que representa redução de aproximadamente 39% no risco de um novo episódio. O controle da pressão arterial também foi superior: a média da pressão sistólica chegou a 127 mmHg no grupo tratado, contra 138 mmHg no grupo controle. Aos seis meses, cerca de metade dos pacientes que tomaram a pílula mantinha pressão abaixo de 130 mmHg, marca alcançada por apenas um quarto do grupo placebo.
O pesquisador aponta que a hemorragia intracerebral — responsável por ao menos 10% dos 20 milhões de novos AVCs registrados no mundo por ano — leva à morte ou a sequelas graves em torno de dois terços dos afetados, atingindo com frequência pessoas em idade produtiva.
Segundo Pontes Neto, o controle da pressão após esse tipo de AVC “costuma ser insatisfatório no longo prazo”, problema que a combinação em doses baixas demonstrou superar com tolerabilidade superior à de doses elevadas de um único medicamento.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)