Crusoé: A guerra como fenômeno inescapável e demasiadamente humano
Livro de Denis Lerrer Rosenfield discute os conflitos mundiais a partir dos textos de Hegel, Clausewitz, Maquiavel e Dugin, guru de Putin
A guerra é um fenômeno tão humano que o mais sensato seria definir a paz não como um momento de tranquilidade e harmonia, mas como a ausência de guerra.
Conflitos entre os países são a regra, não a exceção.
Tanto é assim que a ilusão de que uma organização mundial — a ONU, criada em 1945 — seria capaz de evitar guerras no mundo ruiu já com a Guerra de Independência de Israel, quando países árabes invadiram esse país que tinha acabado de ser criado com anuência, aliás, da própria ONU.
A crença ingênua de que a humanidade está em constante evolução, contudo, impede um olhar realista sobre as relações internacionais, a ponto de relativizar as guerras do presente, como a invasão russa da Ucrânia ou as guerras no Oriente Médio.
Mas o mundo continua tão instável como no passado.
Para os corajosos que buscam entender o mundo do jeito que ele é, o novo livro de Denis Lerrer Rosenfield, Reflexões Filosóficas sobre a Guerra, é leitura indispensável.
O ponto de partida de Rosenfield, professor de filosofia, é a troca de cartas entre dois judeus alemães: Albert Einstein e Sigmund Freud.
Em 1933, os dois tentavam entender a ascensão de Adolf Hitler ao poder.
Freud entendia que o homem tem uma “pulsão” por violência, que o leva a cobiçar qualquer coisa que o homem considere como de uso comum.
Algumas das frases de Rosenfield, escritas a partir das reflexões de pensamentos de outros autores, são um chute no estômago. Ou uma bala na testa.
“Por mais que se persiga a ‘paz’, ela sempre dependerá do consentimento dos Estados que a seguirem, sempre e quando garanta a satisfação de seus interesses.”
Ou esta: “Tal qual o homem, todo Estado é juiz de si mesmo…
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