Gilmar sobre impeachment: “Não me assusto com esse tipo de ameaça”
"Nós, inclusive, estabelecemos, deixamos bem claro que tem que ser de dois terços", disse o decano do STF em mais uma entrevista, citando quórum de votação no Senado
O ministro Gilmar Mendes (foto) voltou a defender o Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista concedida nesta sexta-feira, 8, à rádio BandNews.
Questionado sobre a possibilidade de impeachment de um ministro o STF, que anima a campanha de pré-candidatos ao Senado pelo PL de Jair Bolsonaro, o decano do Supremo respondeu o seguinte:
“Vai parecer arrogante o que eu vou dizer, mas eu não tenho preocupação com isso. Uma coisa é campanha, outra coisa é o exercício de cargo. Não é fácil instaurar um processo de impeachment contra um ministro do Supremo, até porque precisa de ter razões, e, se houver razões, o processo vai tramitar com a maioria, que nós, inclusive, estabelecemos, deixamos bem claro que tem que ser de dois terços, segundo o critério que vige também para a Presidência da República.”
Mudou a lei
O decano do STF se refere a sua decisão liminar que alterou a lei do impeachment.
Depois de congressistas se comprometerem a alterar a legislação, Gilmar recuou da parte de sua decisão que adicionava a Procuradoria Geral da República (PGR) como filtro para o recebimento do pedido de impeachment, mas manteve o aumento do número de votos necessário para aprovação.
“Eu não me assusto com esse tipo de ameaça. Eu até acho uma perda de tempo, ao fim e ao cabo, fazer campanha contra o Supremo Tribunal Federal ou tendo o Supremo Tribunal Federal como centro das questões. A rigor, a população está reclamando do ônibus, está reclamando do SUS, está reclamando do endividamento, dos juros altos, e nós estamos discutindo essa questão de prover vaga no Supremo Tribunal Federal ou não prover vaga, ou criar uma vaga via impeachment. A mim, me parece que… Eu não sou especialista em pesquisa, mas eu não acredito que isso dê muito voto”, seguiu o ministro do STF na entrevista.
Gilmar, que tomou a frente de defesa do STF com uma série de entrevistas após ter pedido a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema no infinito inquérito das fake news, voltou a minimizar o desprestígio do STF medido pelas pesquisas de opinião pública.
“Pancadaria”
“Há um tipo de niilismo crítico em relação ao Supremo nesses últimos tempos, e eu não vou dizer se por boas ou más razões. O Supremo passou por um corredor polonês. O próprio episódio agora do [Banco] Master, que associou colegas com esse banco e esse escândalo, foi transformado num caso do Supremo Tribunal Federal”, reclamou, repetindo que “o Master não mora na Praça dos Três Poderes”, mas “reside na Faria Lima”.
“Os grandes bancos participaram inclusive da distribuição de CDBs, mas a imprensa transformou esse case num case do Supremo Tribunal Federal”, completou, dizendo que foi feita “uma pancadaria” contra o tribunal e que “a gente vê que inclusive [que] tem organização por trás disto, tem método por trás disto”.
Como O Antagonista já mencionou diversas vezes, não foi um jornalista que assinou um contrato de 129 milhões de reais com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, nem um editor que relatou de forma esquisita o caso do Master no STF apesar de uma empresa da qual é sócio ter feito negócios com o banco de Daniel Vorcaro em um resort no Paraná, como fez o ministro Dias Toffoli.
Leia mais: Tanto Gilmar
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Comentários (2)
Marian
08.05.2026 18:34Ameaça? KKK que isso ! Impeachment é previsto em lei, como pode ser ameaça?
Sei... dificílimo de acreditar! Vivem se blindando!!!!!