Moringa, a “Árvore Milagrosa” que remove até 98,5% dos microplásticos da água
Microplásticos são fragmentos de plástico menores que 5 milímetros, muitas vezes invisíveis a olho nu
Uma árvore bastante conhecida na medicina tradicional pode ganhar novo papel no enfrentamento de um dos problemas ambientais mais discutidos hoje: a poluição por microplásticos.
Uma pesquisas da USP mostrou que as sementes de Moringa oleifera removem partículas microscópicas de plástico da água com eficiência semelhante à de produtos químicos usados em estações de tratamento, oferecendo alternativa de baixo custo e potencialmente menos tóxica.
O que são microplásticos na água e por que preocupam?
Microplásticos são fragmentos de plástico menores que 5 milímetros, muitas vezes invisíveis a olho nu. Originam-se da degradação de embalagens, tecidos sintéticos, pneus e produtos de uso diário, espalhando-se por rios, mares, solos e ar.
Essas partículas já foram detectadas em pulmões, placenta, sangue e cérebro humanos, gerando alerta sobre riscos crônicos. Alguns componentes atuam como disruptores endócrinos, interferindo em hormônios e aumentando a urgência por métodos eficientes de remoção na água potável.

Como os microplásticos chegam ao abastecimento de água?
No abastecimento público, microplásticos resistem a etapas tradicionais de tratamento, como decantação e filtração simples. Parte deles permanece na água distribuída para consumo, contribuindo para a ingestão diária de plásticos via bebidas, alimentos e inalação.
Além de carregarem aditivos químicos, esses fragmentos podem adsorver contaminantes como pesticidas e metais pesados. Assim, funcionam como vetores de poluição, ampliando o impacto ambiental e sanitário mesmo em regiões com sistemas de tratamento consolidados.
Como as sementes de Moringa oleifera removem microplásticos?
As sementes de moringa atuam como coagulante natural graças a proteínas carregadas positivamente. Elas se ligam às partículas suspensas, incluindo microplásticos de PVC, formando flocos maiores que podem ser removidos por sedimentação ou filtração.
Em testes que simulam estações municipais, o uso de extratos de moringa no processo de coagulação–floculação–filtração removeu cerca de 98,5% dos microplásticos. Em águas mais alcalinas, o desempenho foi semelhante ou superior ao do sulfato de alumínio, coagulante químico amplamente utilizado.

Quais são as vantagens e limitações do uso de moringa?
Comparada ao alum, a moringa reduz a geração de lodos com metais e dispensa mineração de alumínio. O resíduo formado é majoritariamente orgânico, com menor potencial tóxico, embora ainda exija manejo adequado para evitar novos impactos.
O método é especialmente promissor em comunidades menores e áreas rurais, onde a árvore já é cultivada. Nessas regiões, o processo pode seguir etapas simples:
- Coletar e secar as sementes após o beneficiamento dos frutos.
- Triturar as sementes para liberar as proteínas coagulantes.
- Misturar o pó à água contaminada e aguardar coagulação e floculação.
- Filtrar ou decantar os flocos com microplásticos agregados.

Quais são os próximos passos para uso seguro da moringa?
A adoção ampla ainda depende de estudos sobre estabilidade do processo em diferentes tipos de água, qualidade microbiológica e sensorial, e destino do lodo orgânico. Também é necessário padronizar doses, formas de extração das proteínas e protocolos operacionais.
Pesquisas em regiões tropicais e subtropicais buscam integrar a moringa a sistemas existentes de saneamento descentralizado.
Mesmo assim, a técnica não substitui a redução do consumo de plástico e a melhoria da gestão de resíduos, mas soma-se ao conjunto de estratégias para diminuir microplásticos na água potável.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)