Túnel subaquático mais longo do mundo é construído e reduz o tempo de viagem entre países de 2 horas para 10 minutos
Entenda como o túnel imerso pré-fabricado será afundado no Báltico e quais medidas ambientais monitoram fauna, ruído e sedimentos durante a obra
Entre Dinamarca e Alemanha, no coração do mar Báltico, está em andamento o Túnel de Fehmarnbelt, um túnel submarino que promete encurtar distâncias, reorganizar fluxos de transporte e reforçar a integração entre o norte e o centro da Europa, ao reduzir viagens de cerca de duas horas para poucos minutos e substituir rotas hoje dependentes de balsas.
O que é o Túnel de Fehmarnbelt e qual é sua função estratégica?
O Túnel de Fehmarnbelt é um túnel imerso pré-fabricado de cerca de 18 quilômetros, ligando a ilha dinamarquesa de Lolland (Rødbyhavn) a Puttgarden, na Alemanha. Ele combina pistas rodoviárias e linhas férreas em uma única estrutura, criando uma rota fixa direta entre Copenhague e Hamburgo.
Além de ser um dos maiores túneis imersos do mundo, o projeto integra sistemas ferroviários e rodoviários dos dois países, oferecendo um trajeto mais curto, previsível e menos vulnerável ao clima. A obra se alinha às políticas europeias de mobilidade, que incentivam o transporte por trem e a redução da dependência de longas rotas por rodovias ou mar.
Como o Túnel de Fehmarnbelt será construído e estruturado?
Ao contrário de túneis escavados em rocha, o Túnel de Fehmarnbelt será composto por grandes elementos de concreto pré-fabricados em terra e depois posicionados em uma trincheira no fundo do mar. Cada módulo terá mais de 200 metros de comprimento e dezenas de metros de largura, pesando dezenas de milhares de toneladas.
Esses elementos serão rebocados, alinhados e afundados com precisão, formando um corredor submerso com múltiplos tubos internos. As características do solo do Báltico, com materiais mais macios e estruturas calcárias, favoreceram a solução de túnel imerso em vez de perfuração profunda convencional.

Como o túnel vai reduzir os tempos de viagem e beneficiar a logística?
Hoje, a ligação entre Rødbyhavn e Puttgarden é feita principalmente por balsas, com cerca de duas horas de deslocamento total. Com o Túnel de Fehmarnbelt, a travessia deverá levar aproximadamente 10 minutos de carro e cerca de 7 minutos de trem, segundo estimativas do operador.
No eixo Copenhague–Hamburgo, a viagem pode cair de cerca de cinco horas para em torno de duas horas e meia, com rotas encurtadas em até 160 quilômetros. Isso deve tornar o transporte de mercadorias mais linear e confiável, reduzindo tempos de espera e, em muitos casos, o consumo de combustível por quilômetro transportado.
Quais são os custos, o cronograma e os principais impactos ambientais?
O custo estimado do Túnel de Fehmarnbelt é de cerca de 8,1 bilhões de dólares, financiado principalmente pelo governo dinamarquês, com apoio da Comissão Europeia. A entrada em operação é prevista para 2029, com expectativa de mais de 100 trens e cerca de 12 mil veículos por dia, viabilizados por pedágios e tarifas.
Como megaprojeto marítimo, o túnel passou por extensas análises ambientais, que apontaram riscos a habitats, ruídos subaquáticos e alterações de sedimentos. Para mitigar esses efeitos, foram definidas medidas específicas, incluindo:
Monitoramento contínuo da fauna marinha
O acompanhamento permanente permite identificar impactos sobre espécies e ecossistemas sensíveis, ajustando medidas de proteção ao longo do projeto.
Planos de compensação ecológica
As ações compensatórias buscam reduzir perdas ambientais, restaurar áreas impactadas e preservar o equilíbrio ecológico nas regiões envolvidas.
Redução de ruídos e turbidez
Requisitos técnicos ajudam a limitar ruídos subaquáticos e alterações na transparência da água durante as etapas de construção.
Relatórios periódicos às autoridades ambientais
A entrega regular de relatórios mantém os órgãos ambientais informados sobre impactos, medidas adotadas e cumprimento das exigências legais.
Por que foi escolhido um túnel em vez de uma grande ponte?
A opção por um túnel em vez de uma ponte de grande vão resultou de estudos técnicos, ambientais e de segurança, que indicaram melhor adequação às condições locais. O estreito de Fehmarn possui intenso tráfego marítimo e ventos fortes típicos do Báltico, o que tornaria uma ponte elevada mais complexa e vulnerável.
O túnel reduz interferências no corredor náutico e evita estruturas muito altas, que exigiriam maior altura livre para embarcações. Assim, a solução submersa foi considerada mais estável a longo prazo, com menor impacto visual e operacional, e melhor adaptada ao clima da região.
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