Os geoglifos de Nazca não estavam sozinhos: inteligência artificial acaba de encontrar centenas de figuras escondidas no deserto
As Linhas de Nazca voltaram ao centro das atenções com a identificação de 303 novos geoglifos no deserto peruano
As Linhas de Nazca voltaram ao centro das atenções com a identificação de 303 novos geoglifos no deserto peruano.
Essa descoberta amplia o conjunto já conhecido, reforça o interesse científico e mostra como tecnologias como imagens aéreas e inteligência artificial renovam o estudo dessa paisagem arqueológica.
O que são os geoglifos de Nazca e por que eles importam?
Os geoglifos de Nazca são grandes desenhos no solo árido do sul do Peru, feitos pela remoção de pedras escuras que revelam uma camada mais clara.
Há dois grupos principais: geoglifos geométricos, como linhas, trapézios e espirais, e geoglifos figurativos, com humanos, animais e formas simbólicas.
A civilização Nazca ocupou a região entre cerca de 200 a.C. e 700 d.C., destacando-se por sistemas de irrigação, cerâmica e arte. Reconhecidas como Patrimônio Mundial da Unesco, as Linhas de Nazca são um dos maiores exemplos de arte em grande escala integrada à paisagem desértica.
A directional indicator of technology leverage in archaeology.
— Oliver Hsu (@oyhsu) January 6, 2026
Nazca geoglyph discovery pace:
– 1940s-2000s: 1.5/year
– 2004-2020 (with satellite imagery): 18.7/year
– 2022-present (AI + satellite imagery): 303 so far
A massive acceleration on top of the satellite-era gains. pic.twitter.com/C2u2dHA2un
Como foram descobertos os 303 novos geoglifos em Nazca?
A descoberta envolveu uma equipe internacional liderada pela Universidade de Yamagata, em cooperação com instituições peruanas. Eles analisaram imagens aéreas de alta resolução e usaram inteligência artificial para localizar padrões semelhantes a geoglifos já conhecidos.
Entre os novos geoglifos há figuras humanoides, cabeças decepadas, animais domésticos, formas geométricas e geoglifos em relevo em encostas.
Muitos são menores que as linhas clássicas e estavam parcialmente apagados, o que explica por que passaram despercebidos em levantamentos tradicionais.
Como a inteligência artificial contribui para encontrar novos geoglifos?
Algoritmos de visão computacional conseguem vasculhar milhares de imagens rapidamente, destacando possíveis linhas, curvas e contornos artificiais. Assim, arqueólogos concentram o trabalho de campo em áreas com maior chance de conter vestígios relevantes, otimizando tempo e recursos.
No estudo publicado em 2024 na PNAS, 178 geoglifos figurativos foram sugeridos individualmente pela IA, e o restante como conjuntos de formas relacionadas. Todas as detecções passaram por verificação em campo, mostrando que a tecnologia complementa, e não substitui, a observação direta.
Newly rediscovered Nazca Geoglyphs. AI coupled with drones found these long lost images.https://t.co/gesUKBXDKp pic.twitter.com/m369B1GHhl
— ShockWaveRider (@walte3726) May 2, 2025
Quais são as principais hipóteses sobre a função dos geoglifos?
A finalidade dos geoglifos de Nazca ainda é debatida, e as novas descobertas ajudam a refinar as interpretações. A variedade de figuras, posições em encostas e escalas diferentes sugere múltiplas funções articuladas entre si.
Figuras humanoides, animais e cenas simbólicas, muitas vezes em relevo nas encostas das colinas.
Uso de algoritmos para varrer imagens aéreas e destacar padrões de linhas e curvas quase invisíveis.
Possíveis rotas de peregrinação, fronteiras territoriais ou espaços de cerimônias públicas.
O mapeamento preciso orienta a preservação contra a expansão urbana e o turismo descontrolado.
Quais são os impactos dessa descoberta para pesquisa e preservação?
O acréscimo de mais de 300 geoglifos muda a escala do conjunto conhecido e permite comparações mais precisas de estilos, técnicas e contextos topográficos. Isso ajuda a propor cronologias relativas e a identificar mudanças de uso da paisagem ao longo do tempo.
O mapeamento detalhado orienta políticas de proteção contra obras viárias, expansão urbana e turismo descontrolado. A combinação de monitoramento por imagens, IA e vistorias regulares tende a se consolidar como modelo para gerir e preservar as Linhas de Nazca.
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