Robô vira monge budista em templo histórico da Coreia do Sul
Humanoide de 1,30 m participa de ritual adaptado às vésperas do aniversário de Buda; ideia é aproximar novas gerações da religião
Um robô humanoide passou por uma cerimônia de ordenação simbólica no templo Jogye, em Seul, na Coreia do Sul, nesta quarta-feira, 6.
O androide, desenvolvido a partir do modelo G1 da Unitree Robotics, uniu as mãos, curvou-se diante de monges e declarou devoção a Buda e aos seus ensinamentos. Ao fim do ritual, recebeu um rosário de 108 contas e o nome budista Gabi — derivado do nome Sidarta e do termo coreano para “misericórdia”.
Tradição reinterpretada para a máquina
O evento ocorreu na sede da Ordem Jogye, principal escola budista do país, e reuniu sacerdotes em torno do participante inusitado. Vestido com trajes cerimoniais nas cores cinza e marrom, Gabi seguiu a sequência de gestos próprios da liturgia budista.
Os chamados “cinco preceitos” — código ético central da tradição — foram reescritos para se adequar à natureza do robô.
Entre as novas diretrizes, constam orientações para não causar danos a outros robôs ou objetos, obedecer aos humanos, evitar comportamentos enganosos e não sobrecarregar a bateria. Para a elaboração dessas regras, a Ordem Jogye consultou as plataformas de inteligência artificial Gemini, do Google, e ChatGPT, da OpenAI.
Tecnologia como ferramenta de aproximação
O responsável por assuntos culturais da Ordem Jogye, Seong Won, declarou à agência coreana Yonhap que espera que os preceitos “sejam considerados princípios básicos, não só para os budistas, mas para que a sociedade possa coexistir com os robôs”.
Líderes religiosos envolvidos no projeto afirmaram que a iniciativa não pretende substituir monges humanos. A proposta é utilizar Gabi como instrumento de divulgação espiritual e cultural, com funções que incluem explicar princípios do budismo, orientar visitantes e apoiar atividades pedagógicas no templo.
A ideia de incluir um robô humanoide nas celebrações surgiu há cerca de três anos, período em que essa tecnologia ganhou visibilidade na Coreia do Sul. O evento foi tratado pelos organizadores como uma forma de aproximar a religião das novas gerações em uma sociedade cada vez mais integrada à robótica e à inteligência artificial.
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