Luíza Trajano defende adaptação do mercado à geração Z
Empresária pede mudanças no recrutamento e reforça cotas como ferramenta de equidade em evento voltado a mulheres
A empresária Luiza Trajano defendeu nesta terça-feira, 5, uma revisão nos processos seletivos das empresas para atrair profissionais mais jovens. Segundo ela, o comportamento da geração Z em relação ao trabalho mudou após a pandemia, e o mercado precisa se ajustar a essa realidade. A declaração foi feita durante o lançamento da 1ª edição do Summit Mulheres nas Profissões, realizado em São Paulo.
“Jovem não quer trabalhar dia e noite, tem de mudar o tipo de recrutamento e a mentalidade”, afirmou Trajano ao abordar as dificuldades de contratação no setor varejista. A empresária, que também lidera o Grupo Mulheres do Brasil, argumentou que as organizações precisam rever não apenas suas práticas de seleção, mas também a cultura interna para acomodar as expectativas das novas gerações.
Sobre diversidade, Trajano retomou uma posição que defende há, pelo menos, uma década: as cotas devem ser compreendidas como “um processo transitório para a correção de desigualdades” — e não como privilégio.
Ela disse que as empresas investem em inclusão não por razões altruístas, mas pela pressão do consumidor. “Se um vendedor tratar mal uma pessoa negra, no fim do dia todo mundo fica sabendo. Quem mede a opinião pública é o povo”, declarou.
O evento
O Summit Mulheres nas Profissões está programado para os dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center, em São Paulo. A proposta é ampliar o acesso de mulheres a setores ainda dominados por homens — como a aviação — e conectar empreendedoras a investidores, mentorias e oportunidades de negócio.
A estrutura prevê cerca de 60 estandes comerciais, com custos entre R$ 800 e R$ 12 mil, além de painéis, espaços para artesãs, área kids, estúdios de podcast e transmissão simultânea. Haverá também sessões de pitch e um lounge dedicado a investidores.
Questionada sobre a participação de mulheres trans, Trajano explicou que o evento optou por não segmentar a programação por grupos. A representatividade será garantida por comitês compostos por mulheres negras, trans e outras pessoas diversas, distribuídos ao longo de toda a programação. “Não quisemos fazer separação”, disse.
A organização é responsabilidade da empresa ATMO, cujo CEO, Arnold Correia, afirmou que o evento ainda está em fase de estruturação. Homens também poderão participar. “O grande objetivo do evento é potencializar a mulher no mercado de trabalho nas mais diversas profissões”, declarou.
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