ONG’s denunciam perseguição à imprensa na Venezuela
Detenções e censura continuam após a captura de Maduro, em governo tutelado por Washington
Três organizações venezuelanas de defesa da liberdade de imprensa divulgaram no domingo, 3, em alusão ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que jornalistas no país seguem sendo alvo de detenções arbitrárias, impedimentos de cobertura e intimidações por parte do Estado.
Os dados compilados entre janeiro e abril revelam 18 detenções arbitrárias, 16 impedimentos de cobertura e 4 casos de intimidação registrados pelo Colégio Nacional de Jornalistas (CNP). As denúncias surgem menos de quatro meses após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.
Autocensura e margens invisíveis
O Instituto Prensa y Sociedad (IPYS) da Venezuela afirma que o impacto sobre a imprensa vai além dos casos registrados. Segundo a entidade, mais de oito em cada dez jornalistas “reconheceram ter modificado sua forma de trabalhar como resposta a um ambiente que impõe limites”.
Na prática, isso se traduz em profissionais que deixaram de assinar reportagens e passaram a atuar dentro de margens não declaradas — uma adaptação forçada que, segundo o IPYS, resulta em pautas abandonadas, perguntas não feitas e histórias que nunca chegam ao público.
“Detenções de jornalistas durante coberturas, revisão e apagamento forçado de material informativo, agressões físicas e verbais, fechamento de emissoras e advertências públicas contra veículos mostraram que documentar e difundir informações continua implicando risco imediato, mesmo em momentos de alta visibilidade”, diz a organização em nota.
País sem liberdade de expressão, segundo índices regionais
A ONG Espacio Público, cujo diretor esteve detido em condições consideradas ilegais pelo governo de Maduro, conclui que o jornalismo na Venezuela é exercido “em condições de resistência, marcadas por limitações, restrições e perseguição por parte do Estado”.
A avaliação é respaldada por indicadores internacionais. A Venezuela ocupa a última posição entre 23 países analisados no Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e Imprensa 2025, divulgado em março pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Ao lado da Nicarágua, o país é classificado como nação “sem liberdade de expressão”.
O IPYS defende que uma “reconstrução democrática” passa pelo encerramento das perseguições judiciais, pela libertação de todos os detidos por manifestar opiniões e pelo desmantelamento dos “mecanismos que sustentam a censura estrutural” — o que inclui o desbloqueio de veículos digitais, a restituição de concessões e o fim da vigilância sobre jornalistas e cidadãos.
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