A cidade construída no meio do nada que cresceu 1.152% e virou potência do agronegócio
Crescimento de 1.152% e liderança no agronegócio
No coração do Mato Grosso, a 350 km de Cuiabá, há uma cidade que não existia antes da abertura da BR-163. Lucas do Rio Verde foi erguida sobre cerrado bruto com famílias trazidas do interior do Rio Grande do Sul, e hoje lidera o ranking nacional de crescimento populacional das últimas três décadas.
O assentamento do INCRA que virou cidade em quatro décadas
A história começa com a abertura da BR-163, ligando Cuiabá a Santarém, executada pelo 9º Batalhão de Engenharia e Construção na segunda metade dos anos 70. Os primeiros moradores apareceram quase por acaso, vindos do interior de São Paulo e atrás dos canteiros de obra abertos pelos militares.
O marco oficial veio em 1981. Conforme registra o site oficial da prefeitura, naquele ano o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) assentou 203 famílias de agricultores sem-terra do acampamento de Encruzilhada Natalino, no município gaúcho de Ronda Alta. Outros 85 posseiros que já viviam ali e 50 colonos paulistas dividiram uma gleba de 197.991 hectares.
O dia 5 de agosto de 1982 ficou como data de fundação da agrovila, ainda parte de Diamantino. A emancipação política só veio em 4 de julho de 1988, quando o lugar tinha apenas 5.500 habitantes. Para se ter ideia do isolamento, até o fim dos anos 1990 o abastecimento elétrico dependia de motores geradores a óleo, segundo registra a Wikipédia.

O salto populacional que não tem paralelo no Brasil
O crescimento bateu todos os recordes do Censo Demográfico do IBGE. Entre 1991 e 2022, a população saltou de 6.693 para 83.798 habitantes, conforme dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. É um avanço de 1.152% em 31 anos, o maior percentual entre todos os municípios brasileiros no período, à frente de Palmas e da vizinha Nova Mutum.
Os números expostos lado a lado mostram a velocidade da transformação:
- 1988: 5.500 habitantes ao receber a emancipação política do estado.
- 2010: 45.545 habitantes pelo Censo do IBGE, segundo os dados oficiais.
- 2022: 83.798 habitantes, salto de 83,88% em apenas doze anos.
- Crescimento exponencial anual: 8,49% em média, ritmo de cidade que nunca para de receber gente nova.
O perfil migratório explica parte do fenômeno. Cerca de 30% dos atuais moradores vêm da própria Baixada Cuiabana, conforme aponta o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea). O restante é uma mistura de gaúchos, paulistas e migrantes do Norte e Nordeste atraídos pelas vagas da agroindústria.

De vazio demográfico a potência do agro
Foi a verticalização da produção, a partir de 2008, que mudou de patamar a economia local. A cidade deixou de ser só celeiro de grãos e passou a abrigar a indústria que processa, embala e distribui. Hoje, segundo a própria prefeitura, o município ocupa a 5ª posição como produtor de soja em todo o estado e está entre os maiores produtores nacionais de milho na segunda safra.
Os dados consolidados pelo Indea-MT dimensionam a economia do município:
- PIB municipal: 6º maior do estado, avaliado em R$ 3,72 bilhões pelo IBGE.
- Soja: 772,8 mil toneladas por safra, com mais de 270 mil hectares cultivados em soja e milho juntos.
- Milho: mais de um milhão de toneladas, 7º colocado no ranking nacional de produção.
- Algodão: 99,37 mil toneladas anuais, cultura altamente competitiva no perfil industrial da cidade.
- Aves: 7,91 milhões de cabeças no rebanho galináceo, terceiro maior de Mato Grosso.
- Suínos: 148,2 mil cabeças, base da cadeia integrada de proteína animal e biocombustíveis.
O território concentra duas agroindústrias de proteína animal e biocombustíveis, uma indústria de fertilizantes e uma de químicos, formando o que a prefeitura chama de Capital da Agroindústria.
Quer conhecer curiosidades de Lucas do Rio Verde (MT)? Vai curtir esse vídeo:
Os índices que colocaram a cidade no topo do interior
O reconhecimento veio também nos rankings sociais. Em 2013, ainda com base no Censo de 2010, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) registrou IDHM de 0,768, o segundo melhor de Mato Grosso e o melhor entre os municípios do interior do estado, conforme divulgou a prefeitura. Cuiabá ficou em primeiro com 0,785, mas a capital tem mais de oito vezes a população luverdense.
Em 2025, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal e classificou Lucas do Rio Verde como o melhor da região Centro-Oeste e do estado. A nota em emprego e renda chegou a 0,9462, uma das mais altas do país, colocando a cidade entre os 4,6% dos municípios brasileiros com alto desenvolvimento.
Na educação, o município teve a maior nota de Mato Grosso nos anos iniciais do ensino fundamental no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2023, segundo a Secretaria de Educação. A rede municipal investiu R$ 91 milhões em infraestrutura escolar nos quatro anos anteriores e atende cerca de 14.100 alunos em 24 unidades.
Quando ir e o que esperar do clima
O cerrado mato-grossense impõe duas estações bem marcadas. A temperatura média anual é de 27,7°C, segundo a Wikipédia, e a vegetação alterna áreas de cerrado com transições para a Floresta Amazônica. Confira a tabela com os principais marcos do calendário luverdense:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O período entre maio e setembro é o mais seco e concentra os grandes eventos do agronegócio em Lucas do Rio Verde. Já o verão chega com chuvas fortes, médias acima de 195 mm em março, e a paisagem do cerrado fica completamente verde.
Conheça a cidade que reinventou o interior do Brasil
O caso luverdense mostra que núcleo urbano se constrói com planejamento, logística e gente disposta a recomeçar. Em pouco mais de 40 anos, um assentamento de famílias sem-terra virou referência nacional em produtividade rural e em educação básica.
Você precisa conhecer Lucas do Rio Verde, a cidade que nasceu do nada e hoje conta sua história em cifras de bilhões.
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