Zema defende que crianças possam trabalhar no Brasil
“A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança”, diz pré-candidato à Presidência
O ex-governador Romeu Zema (foto), pré-candidato à Presidência pelo Novo, defendeu, nesta sexta-feira, 1º, a possibilidade de crianças trabalharem no Brasil. A declaração foi feita durante participação no podcast Inteligência Ltda., no Dia do Trabalho.
Ao comentar o tema, Zema criticou a proibição do trabalho infantil no país e atribuiu a regra a uma visão ideológica.
“A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe não sei quantos cents por cada jornal entregue no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. É lamentável, mas tenho certeza que nós vamos mudar isso”, disse.
O ex-governador de Minas Gerais afirmou ainda que começou a trabalhar cedo, ajudando o pai em um negócio de autopeças.
“Eu trabalho desde que eu aprendi a contar”, disse.
Apesar da defesa, Zema reconheceu que o estudo deve ser prioridade.
“Eu sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela.”
Pela legislação brasileira, o trabalho é proibido para menores de 16 anos, com exceção da condição de aprendiz, permitida a partir dos 14, sob regras específicas.
Zema encosta em Lula
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na última terça, 28, apontou crescimento de Zema em uma eventual disputa de segundo turno contra o presidente Lula (PT).
No levantamento de março, Zema tinha 43,7% das intenções de voto e avançou para 46,5%.
Lula, por sua vez, passou de 46,6% para 47,4%.
Considerando a margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, Zema e Lula estão tecnicamente empatados.
Leia também: AtlasIntel aponta empate entre Lula e Flávio em 2º turno
“Os Intocáveis”
Parte do crescimento de Zema pode estar ligada ao embate recente com o Supremo Tribunal Federal e, especialmente, com o ministro Gilmar Mendes.
Na última semana, o decano do STF pediu a inclusão do político mineiro no interminável inquérito das fake news, após a divulgação e uma animação satírica envolvendo o ministro Dias Toffoli.
No conteúdo, Toffoli aparece pedindo ajuda após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra de sigilo da empresa Maridt, da qual é sócio e que teria realizado negócios com o Banco Master, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Na sequência, Gilmar Mendes afirmou que Zema “fala um dialeto próximo do português” e comparou os efeitos da sátira a uma eventual representação do político mineiro como “homossexual”.
Posteriormente, o ministro se desculpou pela declaração.
Nas redes sociais, os eleitores elogiaram a postura destemida de Zema, que prometeu continuar com a série de vídeos batizada de “Os Intocáveis”.
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