“Os juros estão muito altos”, diz Haddad
Para o ex-ministro, guerra comercial de Trump agrava cenário, mas não justifica manutenção de juros tão elevados
A taxa básica de juros do Brasil segue alta demais para o nível atual da economia, na avaliação do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em declaração dada na tarde desta sexta-feira, 1º de maio, após participar de ato do Dia do Trabalhador promovido por centrais sindicais em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o petista afirmou que a Selic já deveria ter recuado mais do que recuou, a despeito das turbulências geradas pela política comercial do governo norte-americano.
Copom reduz Selic, mas ritmo desagrada ex-ministro
Na última quarta-feira, 29 de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou mais um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, a segunda redução consecutiva nessa mesma magnitude. Com o ajuste, a taxa saiu de 14,75% para 14,50% ao ano.
Para Haddad, o movimento é insuficiente: “Eu não canso de dizer que os juros estão muito altos, não há necessidade disso. Agora, nós estamos com um episódio grave, que é a guerra do Trump, que está atrapalhando o mundo inteiro, mas já dava para ter caído mais os juros”.
O ex-ministro reconheceu o impacto das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos como um fator de instabilidade global, mas separou esse diagnóstico da trajetória que, segundo ele, a taxa de juros deveria ter seguido.
PEC 6×1 e disputa interna no PT paulista
Questionado sobre se a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal — também na última quarta-feira — poderia prejudicar a tramitação da PEC 6×1, Haddad pediu que os temas fossem tratados de forma separada.
“Isso é uma demanda dos trabalhadores. Nós estamos no 1º de maio para celebrar as conquistas deste governo, mas para colocar também perante o Congresso Nacional, que são os representantes dos trabalhadores, o que é imperioso agora, que é enfrentar essa coisa da jornada de trabalho”, afirmou.
O ex-ministro também respondeu a críticas feitas pelo pré-candidato à Presidência Aldo Rebelo (DC), que havia descrito o desempenho da economia brasileira no governo Lula como um “voo de galinha”. Haddad disse lamentar a declaração. “Eu acho que ele não está acompanhando os indicadores de crescimento, comparando o governo Lula com o governo que ele apoiou. Eu até lamento por ele, porque ele tinha uma trajetória interessante. E aí, derrapar desse jeito nessa idade, eu fico, eu lamento. Tinha um apreço por ele”, disse.
Haddad é pré-candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PT nas eleições de 2026.
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