PT transforma Dia do Trabalhador em campanha contra escala 6×1
Haddad e ministros discursaram em São Bernardo do Campo, berço do lulismo, defendendo mudança na legislação trabalhista
Representantes do governo federal usaram o palanque do 1° de Maio em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para transformar a data em plataforma de pressão política. Na tarde desta sexta-feira, alguns ministros e o “governável” Fernando Haddad (PT) cobraram do Legislativo a aprovação da proposta que limita a jornada semanal a 40 horas de trabalho, com garantia de dois dias de folga e sem corte de remuneração. Lula preferiu folgar.
Prazo e pressão
Com as eleições de outubro no horizonte, Haddad chamou a disputa pela aprovação da medida de “a batalha do ano” e apelou à mobilização dos trabalhadores junto a parlamentares. “Já está no Congresso e, sem mobilização da classe trabalhadora, vai sendo adiado. E como tem eleição neste ano, precisamos aproveitar o ânimo dos trabalhadores para falar com os deputados e senadores para que eles votem a emenda constitucional que estabelecerá a jornada de 40 horas, com dois dias de descanso, sem redução de salário”, afirmou.
O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) informou que o projeto de lei enviado por Lula em regime de urgência obriga as duas casas do Congresso a votarem a matéria até meados de julho, sob pena de trancamento da pauta. “Cada deputado, cada senador, tomará seu lado. Aqueles que estão ao lado dos trabalhadores, e de 80% da população brasileira que defende no mínimo dois dias de descanso, e aqueles que estão contra. Esses vão pagar o preço na urna em outubro”, disse.
Semana complicada
O ato ocorreu após uma sequência de derrotas do governo no Congresso. Na quarta-feira, o Senado rejeitou a indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. Na quinta, foi derrubado o veto presidencial ao projeto que reduzia as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Questionados, Boulos e Haddad minimizaram os efeitos desses reveses sobre a tramitação da proposta trabalhista.
Além da jornada reduzida, as falas no evento abordaram o combate ao feminicídio, a igualdade salarial entre homens e mulheres e a isenção do imposto de renda sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, ligou o tema ao acesso a creches: “A conquista neste ano será para as mães trabalhadoras, que precisam ter seus filhos nas creches para permanecerem no mercado de trabalho”.
O evento, realizado no Paço Municipal, intercalou discursos de lideranças sindicais com apresentações musicais de samba, pagode, piseiro e funk, e encerrou a noite com shows de Gloria Groove e Filho do Piseiro.
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