No Dia do Trabalhador, direita e esquerda colidem na Paulista
Grupo bolsonarista reservou faixa da avenida com antecedência; dois episódios de hostilidade contra mulheres marcaram o ato
Um grupo conservador tomou uma faixa da Avenida Paulista na manhã desta sexta-feira, 1º de maio, com o objetivo de impedir que sindicatos e movimentos de esquerda utilizassem o espaço no Dia do Trabalhador.
O ato organizado pelo empresário Mario Malta reuniu cerca de 100 pessoas em frente à sede da Fiesp e defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, e a liberdade de condenados por tentativa de golpe de Estado.
Estratégia de reserva antecipada
A ocupação foi resultado de um planejamento anterior: Malta enviou ofício à Polícia Militar meses antes reivindicando o espaço, o que garantiu ao grupo prioridade legal sobre outros interessados. Com a via bloqueada para manifestações de sindicatos, centrais trabalhistas foram deslocadas para outros pontos da cidade.
O organizador afirmou que a tática se repetirá nos próximos feriados. “Já reservamos também o 9 de Junho e o 7 de Setembro”, disse Malta.
O ato contou com um trio elétrico e um carro de som de apoio, mas ambos permaneceram sem oradores durante boa parte da tarde. O tráfego de automóveis não foi interditado — apenas uma faixa no sentido Paraíso ficou bloqueada para acomodar os equipamentos de som.
Confusões e intervenção policial
Dois episódios de hostilidade contra mulheres marcaram a manifestação. No primeiro, uma jovem de 19 anos que estava com o namorado respondeu a falas feitas pelo microfone do carro de som gritando “sem anistia” e foi empurrada por manifestantes até a Polícia Militar intervir.
No segundo caso, ocorrido à tarde, outra mulher foi empurrada pelo grupo e acabou ferida pelo próprio brinco durante o tumulto, sendo retirada do local por policiais. Em ambas as situações, os homens que acompanhavam as mulheres não foram agredidos.
Nenhum político com mandato parlamentar compareceu ao ato. As pautas do Dia do Trabalhador — como o debate sobre o fim da jornada 6×1, presente nos atos realizados pela esquerda em outros pontos da cidade — não foram mencionadas pelos organizadores.
As bandeiras levantadas restringiram-se à proibição do aborto, ao apoio eleitoral a Flávio Bolsonaro e à anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pela Justiça.
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