Crusoé: O informante Lula
Sinalização de virtude democrática do petista não resiste ao seu histórico durante a ditadura militar brasileira
Sempre que um filme brasileiro sobre a ditadura militar concorre ao Oscar ou a algum outro prêmio do cinema — coisa que parece ter virado moda —, Lula entra na torcida pró-democracia. No ano passado, o presidente organizou uma sessão especial no Palácio da Alvorada para exibir o filme Ainda estou aqui, de Walter Salles. “Hoje é dia de dizermos em alto e bom som: ainda estamos aqui. Estamos aqui para dizer que estamos vivos e que a democracia está viva, ao contrário do que planejavam os golpistas de 8 de janeiro de 2023“, disse o presidente antes da premiação. Este ano, Lula fez coro para homenagear O agente secreto, que ele considerou um “filme essencial para não deixar cair no esquecimento a violência da ditadura e a capacidade de resistência do Brasil“.
Mas, ainda que Lula se coloque como um contraponto da ditadura, há suficientes contradições na sua vida para duvidar da sua sinalização de virtude democrática. A mais óbvia e comentada delas é que o petista se sente muito à vontade em apoiar os ditadores mais sanguinários do mundo, do cubano Miguel Díaz-Canel ao russo Vladimir Putin. Lula nunca se solidarizou com o povo cubano, russo ou chinês, submetido a seus amigos autoritários. Mas há muito mais no histórico do atual presidente a ser explorado. Quando já tinha ingressado na política e atuava como sindicalista em São Bernardo Campo, Lula nunca criticou a ditadura militar por abusos de direitos humanos, como tortura de dissidentes, desaparecimentos forçados ou censura dos meios de comunicação. Ele também já admitiu ter participado de diversas reuniões privadas com militares durante a ditadura. Sua prisão no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em abril de 1980, foi em condições muito amigáveis. Uma “prisão VIP”. E há até a suspeita de que Lula tenha sido um informante dos militares.
Lula demorou décadas para falar em “Golpe de 64”, que depôs o presidente João Goulart, de esquerda. Ele preferia a expressão “Revolução de 64”, a qual apetecia aos militares que se imaginavam como os garantidores da ordem, e não como aqueles que a violaram. Quando era indagado por jornalistas sobre o que pensava sobre esse período, Lula tergiversava ou fazia discretos elogios aos generais. Várias dessas frases foram compiladas em O Livro Vermelho do Lula (Edições 70), organizado por mim e lançado este ano.
Lula sempre elogiou o ditador Ernesto Geisel…
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