Trump ataca chanceler alemão em controvérsia sobre Irã
Presidente americano distorce declarações de Merz após críticas à estratégia dos EUA nas negociações
“O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que está tudo bem que o Irã tenha uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!”, disse – e distorceu – Donald Trump na rede Truth Social nesta terça-feira, 28.
A fala não corresponde ao que o líder alemão efetivamente disse. Na véspera, Merz havia criticado a ausência de objetivos definidos na atuação americana nas negociações com Teerã — sem fazer qualquer menção favorável ao armamento nuclear iraniano.
O que Merz disse em Marsberg
As declarações do chanceler foram feitas na segunda-feira, 27, durante visita a uma escola na cidade de Marsberg, no oeste da Alemanha. No evento, Merz questionou a condução americana do conflito: “É evidente que os americanos não têm nenhuma estratégia. E o problema com esse tipo de conflito é sempre que não basta entrar, é preciso também sair”.
O chanceler traçou um paralelo com intervenções anteriores dos EUA: “Vimos isso de forma muito dolorosa na Guerra do Afeganistão durante 20 anos. Vimos isso na Guerra do Iraque. Portanto, tudo isso é, como eu disse, no mínimo, pouco refletido”.
Merz também afirmou que “uma nação inteira está sendo humilhada pelos dirigentes iranianos, especialmente pela chamada Guarda Revolucionária Islâmica” — referência ao braço militar ideológico da República Islâmica.
Alemanha defende fim do conflito e ação no Estreito
Apesar do atrito com Washington, Berlim sinalizou disposição para atuar ativamente na estabilização da região. A Alemanha integra uma coalizão liderada por Reino Unido e França voltada à segurança da navegação no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa parte relevante do comércio global de petróleo.
Merz informou que o governo alemão se ofereceu para enviar navios caça-minas à área, com o objetivo de desobstruir a rota após tentativa de estabelecimento de um cessar-fogo permanente. O chanceler também defendeu o fim acelerado do conflito, citando os impactos progressivos sobre a economia mundial.
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