Escândalo do Master: ex-presidente do BRB vai abrir o bico
Paulo Henrique Costa está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 16 de abril.
O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pediu, nesta terça-feira, 28, transferência para a sede da Polícia Federal, em Brasília. O ex-chefe do BRB está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 16 de Abril. Os novos advogados querem as mesmas condições análogas às de Vorcaro.
Em petição enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, os advogados afirmam que o ex-dirigente está disposto a cooperar com as autoridades, inclusive com a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada. O movimento ocorre em meio ao avanço das apurações sobre supostas irregularidades na gestão do banco.
A defesa condiciona qualquer negociação a uma mudança no local de detenção. Segundo os advogados, a estrutura da Papuda não permite conversas reservadas nem o exame adequado de documentos sensíveis, o que inviabilizaria tratativas mais detalhadas sobre os fatos investigados.
Por isso, foi solicitado ao STF que Costa seja transferido para um ambiente que assegure sigilo nas comunicações com a equipe jurídica. A alegação é de que, sem essa garantia, não há como cumprir requisitos básicos de uma eventual colaboração, como a voluntariedade e a análise técnica das informações a serem apresentadas.
Além da transferência, a defesa argumenta que o ex-presidente do BRB tem direito a prisão especial por ser oficial da reserva das Forças Armadas, na patente de segundo-tenente. Nesse contexto, cita a possibilidade de custódia em sala de Estado-Maior, modelo já aplicado a outros investigados no mesmo inquérito, como o banqueiro Daniel Vorcaro.
A mudança recente na equipe de defesa reforça essa linha. O advogado Cléber Lopes deixou o caso e foi substituído por Eugênio Aragão, que atuará ao lado do criminalista Davi Tangerino. Um dos motivos apontados é evitar questionamentos sobre conflito de interesses, já que Lopes também representa o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB-DF), citado nos bastidores como possível alvo de menções em uma eventual colaboração.
A estratégia segue um roteiro já visto no próprio caso: o banqueiro Daniel Vorcaro também trocou de defesa ao iniciar tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. A diferença, agora, é que o ex-presidente do BRB pode “abrir o bico” e levar a investigação a um novo patamar.
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