Forbes elegeu a única vila brasileira entre as 50 mais bonitas do mundo: a cidade com 65 ilhas e ruas de pedra que o mar invade há 3 séculos
A única vila brasileira entre as 50 mais bonitas do mundo pela Forbes
A 240 km do Rio de Janeiro, Paraty guarda casarões coloniais, 65 ilhas ao redor da baía e ruas que o mar lava nas marés altas. A vila histórica do litoral sul fluminense entrou em 2025 na lista das 50 vilas mais bonitas do planeta, segundo a revista Forbes.
O que a Forbes diz sobre Paraty?
A revista Forbes colocou Paraty na 35ª posição da lista “The World’s 50 Most Beautiful Villages 2025, According to Experts”, divulgada em setembro pela curadoria da Unforgettable Travel Company. A vila aparece como única representante brasileira no ranking, ao lado de Bibury (Inglaterra), Hallstatt (Áustria), Reine (Noruega) e Oia (Grécia). A notícia foi confirmada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
A publicação destacou a combinação rara de história e natureza, citando o centro fechado a carros, com igrejas e ruas de pedra originais, e a baía cercada de ilhas e Mata Atlântica. Bibury, vilarejo inglês conhecido pelas casas de pedra de mel, ocupa o primeiro lugar do ranking.

O fenômeno das ruas que o mar lava
O centro histórico foi construído abaixo do nível da maré alta no século XVIII. Engenheiros traçaram as vias do nascente para o poente e do norte para o sul, com depressões ao meio-fio que permitem a entrada da água. As casas foram erguidas pelo menos 30 cm acima do calçamento de pedras pé de moleque para resistir ao fenômeno.
O objetivo era prático naquela época: a maré arrastava os dejetos dos cavalos e burros de carga que circulavam pela vila portuária. Três séculos depois, o ritual continua. Nas luas cheia e nova, a maré de sizígia cobre o calçamento e cria reflexos entre os casarões caiados, em uma cena que rendeu a Paraty o apelido de Veneza Brasileira.

O porto terminal da Estrada Real
Fundada em 1667 como Vila de Nossa Senhora dos Remédios, Paraty enriqueceu como o porto onde o ouro de Minas Gerais era embarcado para Portugal. O Caminho Velho da Estrada Real, oficializado em 1697, ligava Ouro Preto a Paraty em mais de 1.600 km de trilhas pavimentadas por africanos escravizados sobre antigas rotas indígenas dos Guaianás.
Com a construção do Caminho Novo, em meados do século XVIII, e mais tarde com a chegada da ferrovia, Paraty entrou em quase um século de isolamento. Esse esquecimento preservou intacto o traçado colonial. O centro histórico foi tombado pelo IPHAN em 1958 e, desde 2019, Paraty e Ilha Grande integram a Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como o único sítio misto, cultural e natural, de toda a América Latina.
O que fazer na vila eleita pela Forbes
O roteiro mistura caminhadas pelo centro histórico, passeios de barco pela baía e trilhas na Serra da Bocaina. Veja os principais destaques:
- Centro histórico: 33 hectares tombados pelo IPHAN, com igrejas dos séculos XVII e XVIII e tráfego restrito a pedestres.
- Passeio pela Baía de Paraty: escunas e lanchas que circulam entre as 65 ilhas e param em piscinas naturais e praias acessíveis só por barco.
- Caminho do Ouro: trecho preservado da Estrada Real, com pedras irregulares colocadas no século XVIII e ainda transitáveis em trilha.
- Cachoeira do Tobogã: também chamada da Penha ou do Escorrega, fica no início do Caminho do Ouro e é o principal banho de cachoeira da região.
- Igreja de Santa Rita: construída em 1722, é o cartão-postal mais fotografado do conjunto colonial.
- Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP): realizada todo mês de julho desde 2003, é um dos maiores eventos literários da América do Sul.
A cozinha local mistura tradição caiçara, cachaça artesanal e ingredientes da Mata Atlântica. Confira os destaques gastronômicos:
- Peixe na folha de bananeira: prato caiçara servido em restaurantes do centro histórico, com peixes frescos da baía.
- Camarão casadinho: receita tradicional preparada com leite de coco e azeite de dendê.
- Cachaça artesanal: a cidade reúne alambiques tradicionais e foi a primeira região do país a receber a Indicação Geográfica de Procedência para cachaça pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial em 2007.
- Banana flambada na cachaça: sobremesa típica que une os dois símbolos gastronômicos da cidade.
- Festival da Cachaça: realizado em agosto, reúne produtores artesanais e shows de música caiçara.
Quem sonha em conhecer o Rio de Janeiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 69 mil visualizações, onde Lígia e Ulisses mostram 5 motivos imperdíveis para visitar Paraty:
Quando ir e o que fazer em cada estação
O clima tropical úmido, influenciado pela Serra do Mar concentra as chuvas no verão em Paraty. Veja como o tempo se comporta nas estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme frentes frias e regime de chuvas da serra.
Como chegar a Paraty
De carro, o acesso a partir do Rio de Janeiro segue pela BR-101 (Rio-Santos) em cerca de 240 km e 4 horas de viagem. Saindo de São Paulo, são aproximadamente 270 km pela Rodovia dos Tamoios até Caraguatatuba e depois pela Rio-Santos, em cerca de 4 horas e 30 minutos. Ônibus saem diariamente das rodoviárias Novo Rio e Tietê. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o do Galeão, na capital fluminense.
Vá conhecer a vila que parou no tempo
Paraty soma três chancelas internacionais, três séculos de história colonial preservada e uma baía com 65 ilhas que cabem em um único passeio de escuna. Poucas vilas no mundo conseguem reunir esse equilíbrio entre patrimônio cultural, natureza e ritmo de vida lento.
Você precisa pisar nas pedras irregulares de Paraty numa tarde de maré alta, quando o mar invade as ruas e transforma a vila em um cenário que nenhuma outra cidade brasileira consegue reproduzir.
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