Josias Teófilo na Crusoé: Cinema barroco
Podemos dizer que Joaquim Pedro de Andrade é geneticamente barroco: seu bisavô mineiro foi biógrafo de Aleijadinho
Henri Focillon diz que o barroco não é apenas um período específico da história da arte, mas um estágio de desenvolvimento que se repete ao longo da história. A arte grega, segundo ele, tem seu período arcaico, clássico, e barroco.
O gótico igualmente teve sua forma mais experimental, arcaica. Essas formas se estabeleceram numa estrutura clássica e, por fim, chegaram a uma exuberância no gótico flamboyant ou flamejante.
Poderíamos falar de fases assim no cinema brasileiro?
Existiria a fase experimental ou arcaica, do qual Limite, de Mário Peixoto, é o melhor representante, mas também o Ciclo do Recife e os ciclos regionais. Existiria a fase clássica, com a Vera Cruz e Atlântida, em que o cinema profissionalizou-se e tornou-se estabelecido.
E existiria a fase da exuberância, a fase barroca. O cineasta Joaquim Pedro de Andrade seria, então, o melhor representante desta fase.
Aleijadinho
Podemos dizer que Joaquim Pedro é geneticamente barroco: seu bisavô mineiro foi biógrafo de Aleijadinho, Rodrigo José Ferreira Bretas.
Ele é autor de um dos primeiros textos fundamentais sobre o artista, “Traços biográficos relativos ao finado Antônio Francisco Lisboa” (1858), que ajudou a consolidar a figura do Aleijadinho na história da arte brasileira.
Seu pai foi criador do Iphan, e dedicou-se especialmente ao barroco mineiro. Ele próprio fez um curta sobre Aleijadinho, até hoje o melhor filme sobre o escultor.
Antes, Joaquim Pedro trabalhou num projeto de restauração empreendido pela Serviço do Patrimônio Histórico Nacional, hoje Iphan, que recuperou entre outras obras os Passos da Paixão, de Aleijadinho.
Escreveu ele: “Estou embasbacado com o Aleijadinho e vou ter uma oportunidade única de contato com sua escultura mais apurada”.
Foi logo após essa experiência que Joaquim Pedro veio a trabalhar num longa-metragem filmado em Ouro Preto, Rebelião em Vila Rica.
Os Inconfidentes
Mas o barroco na obra de Joaquim Pedro não é só temático. Está na linguagem cinematográfica. Especialmente de um filme: O Inconfidentes, de 1972.
A história da Inconfidência Mineira é representada com o máximo de expressividade, sexual e visceral. A primeira imagem do filme é um close na carne ensanguentada de Tiradentes (foto), morto na Inconfidência.
Destaque para a espacialidade dos casarões de Ouro Preto, muito bem explorados no filme.
Outro filme profundamente barroco de Joaquim Pedro de Andrade é O Padre e a Moça (1966).
A história acompanha um jovem padre (interpretado por Paulo José) que chega a uma pequena cidade do interior de Minas Gerais para substituir o antigo pároco. Lá, ele conhece Mariana (Helena Ignez), uma moça…
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