Letícia Barros na Crusoé: As falhas ocultas da intervenção estatal na educação
É necessário revisitar uma premissa que hoje raramente é questionada: a de que a educação deve ser responsabilidade do Estado
As faculdades particulares dos Estados Unidos estão enfrentando uma tremenda crise que tem ameaçado o encerramento de suas atividades. Segundo uma recente análise realizada pelo grupo de consultoria Huron, estima-se que mais de 25% delas fechem as portas nos próximos anos.
Esse cenário suscita questionamentos sobre uma crise na educação, mas, acima de tudo, expõe as consequências indesejadas da intervenção estatal sob o pretexto da justiça social.
As razões por trás dos desafios enfrentados pelas faculdades particulares nos EUA são diversas. Dentre elas, é impossível ignorar a queda na taxa de natalidade durante a última década e o surgimento de outras alternativas para a construção de uma carreira, como os cursos técnicos.
Entretanto, nenhuma dessas agrava tanto a crise quanto a crescente intervenção estatal no setor, através da expansão do acesso a empréstimos estudantis.
Oferta e demanda
Apontar a expansão dos empréstimos estudantis como uma das causas parece contraintuitivo. Afinal, o senso comum acredita que essa ampliação é sinônimo de uma democratização do próprio acesso à educação.
Porém, o que muitas vezes se ignora é que a educação, como qualquer outro serviço, está sujeita ao sistema de preços e à dinâmica de oferta e demanda. Deveria ser organizada pelo mercado, como os demais serviços.
É verdade que, quando o governo facilita o acesso ao crédito, mais alunos conseguem pagar a faculdade. Na dinâmica de mercado, ampliar o acesso a um serviço tende a aumentar seus preços.
O resultado, segundo especialistas, foi o aumento das mensalidades em cerca de 42% acima da inflação nas últimas décadas, enquanto a dívida estudantil americana cresceu 128% desde 2010. Naturalmente, muitos estudantes têm buscado alternativas, evitando iniciar a vida adulta já endividados.
Brasil
Ao fazer um paralelo com o Brasil, a dinâmica da intervenção estatal produz consequências ainda mais rígidas. A educação básica brasileira é majoritariamente estatal.
O primeiro problema…
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