Sete em cada dez iates produzidos no Brasil saem de uma única cidade catarinense
Os iates produzidos no Brasil dessa cidade com PIB per capita de R$ 182 mil
O cheiro de sal e o ronco dos motores pesqueiros recebem quem chega à foz do Rio Itajaí-Açu. Entre barcos de pesca e navios cargueiros, Itajaí concentra cerca de 70% da produção nacional de lanchas e iates e abriga a única fábrica da Azimut Yachts fora da Itália.
Por que tantos iates saem de uma só cidade?
A resposta está no rio. Itajaí nasceu como vila de pescadores açorianos no século 18 e cresceu ao redor do encontro do Rio Itajaí-Açu com o Atlântico. Essa geografia privilegiada permitiu que estaleiros de grande porte se instalassem nas margens, com acesso direto ao mar.
A cidade recebeu da Lei Estadual 17.587 o título oficial de Capital da Construção Naval e do Turismo Náutico. Hoje, a Prefeitura de Itajaí confirma que os estaleiros locais levaram cinco das seis categorias do prêmio Bombarco de Excelência Náutica 2019, considerado o Oscar do setor.

A única fábrica italiana de iates de luxo fora da Itália
A Azimut Yachts, que há 25 anos lidera o ranking global de fabricantes de iates de luxo pelo Global Order Book, escolheu o bairro Cordeiros para instalar em 2010 sua única planta fora da Itália. A escolha brasileira se explica pelo PIB náutico catarinense e pelo acesso à mão de obra especializada.
O parque fabril de 38 mil metros quadrados produz oito modelos de iate entre 51 e 100 pés, exportados para mais de 80 países. A fábrica vai dobrar de tamanho até 2028, chegando a 65 mil metros quadrados, com investimento anunciado de R$ 120 milhões. Entre os proprietários de um Azimut Grande 27 Metri produzido em Itajaí está o atacante Cristiano Ronaldo, segundo registro da empresa.
Como Itajaí virou a cidade mais rica de Santa Catarina?
Pelo porto. O Complexo Portuário do Rio Itajaí-Açu é o segundo do Brasil em movimentação de contêineres, atrás apenas de Santos. Em 2024, as importações que passaram pela cidade somaram US$ 15,9 bilhões, e por ali saem as carnes congeladas que colocam o município como o maior exportador do país no setor.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tem 294.850 habitantes estimados em 2025, PIB per capita de R$ 182.522,93, mais de três vezes a média nacional, e a 29ª maior economia entre mais de 5.500 municípios brasileiros. Multinacionais como BRF, Gomes da Costa e a própria Azimut mantêm operações no litoral norte catarinense.
Quem deseja conhecer Itajaí, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Arthur e Lika na Viagem, que conta com mais de 43 mil visualizações, onde Arthur e Lika exploram a cidade mais rica de Santa Catarina, mostrando desde a Praia Brava até a força do porto:
O número que coloca Itajaí no mapa mundial da náutica
Além dos 70% da produção nacional de iates de lazer, a cidade é responsável por 90% das exportações brasileiras do setor. O dado aparece em estudos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Associação Náutica Brasileira (ACATMAR).
A Marina Itajaí tem certificação internacional Bandeira Azul e foi escolhida como parada oficial da The Ocean Race, a principal regata de volta ao mundo. Veja os principais nomes da indústria náutica que saem de Itajaí:
- Azimut Yachts: italiana com fábrica em Cordeiros desde 2010, produz iates de 51 a 100 pés para mais de 80 países.
- Fibrafort: fundada em 1990, é considerada a maior fabricante da América Latina em unidades produzidas, com mais de 18 mil lanchas vendidas em 43 países.
- Okean Yachts: produz oito modelos acima de 52 pés em parque de 13 mil metros quadrados. 70% da produção vai para Estados Unidos, França, Suíça, Japão, Costa Rica e Austrália.
- Ferretti Yachts: um dos maiores produtores italianos de iates de luxo, com operação dedicada ao mercado brasileiro na cidade.
A Capital Nacional da Pesca que virou potência exportadora
A Lei Federal 14.733/2023 reconheceu Itajaí como Capital Nacional da Pesca. A cidade abriga a maior enlatadora de pescados da América Latina e responde por 55% do mercado nacional do setor, com cerca de 500 embarcações industriais e 40 indústrias de congelados.
A vocação vem de longe. Em 1820, Dom João VI trouxe pescadores portugueses da vila de Ericeira para colonizar o litoral catarinense, e essa herança se preserva até hoje no sotaque, na culinária e no ritmo do centro antigo. A pesca industrial emprega cerca de 15 mil pessoas direta e indiretamente.
Uma cidade entre o mar aberto e a mata atlântica
Itajaí equilibra um dos maiores polos logísticos do Brasil com sete praias cercadas de morros cobertos pela Mata Atlântica. É no mesmo litoral que os iates de luxo deixam o estaleiro e cruzam o porto rumo a clientes em todos os continentes.
Você precisa conhecer Itajaí e entender como uma cidade de menos de 300 mil habitantes se tornou o endereço que despacha 7 em cada 10 iates produzidos no Brasil.
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