Ex-presidente do BRB vai delatar?
Preso na quinta, Paulo Henrique Costa é suspeito de envolvimento em esquema ligado ao banco Master
Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa (foto) passou a ser visto como um possível colaborador nas investigações da Polícia Federal, diz a Folha. Preso na 4ª fase da operação Compliance Zero, ele é suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com a acusação de ter ocultado seis imóveis recebidos como propina, avaliados em R$ 146,5 milhões.
Investigadores consideram que uma eventual delação de Costa pode ter impacto relevante, já que ele não ocuparia posição de liderança no suposto esquema. Nesse cenário, informações sobre outros envolvidos, especialmente de maior hierarquia, poderiam ampliar o alcance das apurações.
Antes da prisão, Costa teria sido aconselhado a firmar acordo de colaboração, mas resistiu, mesmo diante do avanço das investigações.
Com a mudança de cenário após a detenção, a avaliação, segundo o jornal paulistano, é de que uma eventual delação exigiria a apresentação de mais informações para garantir benefícios.
Caso avance, a colaboração pode influenciar outras negociações em curso, como a do empresário Daniel Vorcaro, também citado no caso.
Prisão
Paulo Henrique Costa foi preso na última quinta-feira, 16, alvo da quarta fase da Operação Compliance Zero.
À frente do BRB de 2019 a 2025, ele é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master.
O banco público pagou 12,2 bilhões de reais por carteiras sem lastro em operações reais do banco de Daniel Vorcaro.
O executivo foi afastado do banco em novembro do ano passado, após a primeira fase da operação.
Acareação com Vorcaro
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa divergiram em suas versões durante a acareação conduzida pela PF, em dezembro do ano passado, sobre a origem das carteiras de crédito vendidas pela instituição privada ao banco público.
Vorcaro afirmou que não tinha conhecimento de que o Master venderia papéis da empresa Tirreno, mas sim carteiras originadas por terceiros de forma genérica.
Como se apurou posteriormente, os papéis comercializados estavam desvalorizados.
Segundo Vorcaro, nunca foi informado ao BRB que as carteiras negociadas seriam originadas pela Tirreno ou pelo próprio Banco Master. De acordo com ele, o banco público foi comunicado apenas sobre uma mudança no modelo de negócios, com a venda de carteiras originadas por terceiros.
Questionado, Paulo Henrique disse que o Master disse que os papéis eram do Master.
“O entendimento que eu coloquei é que eram carteiras originadas pelo Master, negociadas com terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, afirmou o ex-diretor do BRB.
Vorcaro rebateu essa versão. Segundo ele, não houve qualquer informação sobre recompra das carteiras pelo Master.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)