Rodolfo Canônico na Crusoé: Políticas de Orbán para a família também deveriam cair?

20.04.2026

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Rodolfo Canônico na Crusoé: Políticas de Orbán para a família também deveriam cair?

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3 minutos de leitura 18.04.2026 14:00 comentários
Brasil

Rodolfo Canônico na Crusoé: Políticas de Orbán para a família também deveriam cair?

A lição húngara é que subsídios generosos não bastam quando as necessidades reais das famílias são sobrepostas por interesses eleitorais

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Rodolfo Canônico na Crusoé: Políticas de Orbán para a família também deveriam cair?
Ilustração feita com IA

Ao final de dezesseis anos, a Hungria virou uma longa página de sua história: o controverso premiê Viktor Orbán foi derrotado nas urnas por Péter Magyar, que obteve uma ampla maioria no parlamento. Para além da geopolítica europeia, a mudança levanta uma questão que deveria ocupar o debate público brasileiro.

Ocorre que a Hungria de Orbán foi um dos poucos países do mundo a transformar a queda de natalidade em prioridade nacional. Trata-se de um desafio que tira o sono de governantes do mundo inteiro: o declínio populacional já compromete sistemas previdenciários, mercados de trabalho e, em cenários extremos, pode reduzir o PIB de um país em até 30%.

De um lado da equação, há o desejável aumento da longevidade. Do outro, porém, uma realidade inconteste: está cada vez mais difícil formar família. E, com uma taxa de fecundidade de 1,57 filho por mulher e a previsão do IBGE de que, já em 2030, o país terá mais idosos do que crianças, o Brasil vai pelo mesmo caminho.

O experimento húngaro

À crise que assola gigantes como a Rússia, a China e toda a Europa, Orbán respondeu com o pacote mais ambicioso do continente.

Empréstimos de cerca de 25 mil dólares para casais jovens, com perdão conforme o número de filhos, subsídios de até 80 mil dólares para compra de imóvel e veículos para famílias com três ou mais crianças. Isenção total de imposto de renda para mães, ampliação massiva de vagas em creches. Dedução fiscal progressiva por filho, com benefício crescente a partir do segundo.

No total, a Hungria chegou a destinar entre 5% e 6% do PIB a essas políticas — um dos maiores investimentos do tipo no planeta. Os resultados iniciais foram expressivos: a taxa de fertilidade subiu de 1,23 em 2011 para 1,61 em 2021.

A conta que não fecha

O problema é que o “milagre demográfico” de Orbán revelou-se, em bom português, um voo de galinha. Desde 2021, a fertilidade despencou para 1,3 em 2025 — abaixo até de vizinhos como Bulgária e Eslováquia, que não fizeram investimentos comparáveis. A meta de 2,1 filhos por mulher até 2030 ficou distante. A população encolheu em 500 mil pessoas desde 2011.

Parte dessa queda…

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