PF liga empresa de Marçal a funkeiro MC Ryan
Transferência de R$ 4,4 milhões entre R66 Air e funkeiro entra no radar da investigação federal sobre esquema bilionário do PCC
A Polícia Federal identificou uma movimentação financeira de R$ 4,4 milhões entre uma empresa vinculada ao influenciador Pablo Marçal e a conta pessoal do cantor Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, preso durante a Operação Narco Fluxo.
O valor, o maior registrado pelo funkeiro no período monitorado pelo Coaf, entre maio de 2024 e outubro de 2025, foi transferido pela R66 Air Ltda., sociedade da qual Marçal faz parte. Investigadores apontam a “proximidade financeira” entre os dois como elemento de atenção no rastreamento do fluxo de capitais do grupo investigado.
Operação apura esquema de R$ 1,6 bilhão ligado ao PCC
A Narco Fluxo mira uma organização criminosa que teria utilizado influenciadores digitais e artistas do funk para lavar recursos do PCC.
Segundo a PF, MC Ryan SP era o principal beneficiário do esquema: suas empresas de produção musical e sua presença nas redes sociais serviriam para misturar receitas legítimas com dinheiro oriundo de apostas ilegais e rifas digitais. O dinheiro lavado seria então reinvestido na compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e joias.
Além do funkeiro, a operação prendeu outros nomes conhecidos, entre eles o cantor MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, responsável pela página de entretenimento Choquei.
Ao todo, 33 pessoas foram detidas — nenhuma liberada nas audiências de custódia realizadas em 16 de abril pela 5ª Vara Federal de Santos. Outros seis alvos permaneciam foragidos até a data da operação.
Defesa aponta negócio imobiliário
A análise da PF considera que o montante transferido é compatível com o valor de mercado de um helicóptero Robinson R66 Turbine — referência que dá nome à própria empresa envolvida na transação.
Os investigadores registram ainda que MC Ryan SP apoiou publicamente a candidatura de Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024 e participou do programa “Marçal Talks”. O influenciador é classificado pelas autoridades como Pessoa Exposta Politicamente (PEP).
A assessoria de Marçal rejeita a hipótese da aeronave. Em nota, afirma que “sobre a referida operação financeira, trata-se de uma transação imobiliária onde uma das empresas de Marçal comprou um imóvel do Ryan, e parte do pagamento foi realizado através da transferência bancaria citada, todo o processo de compra passou por diligências e compliance necessário para realização do negócio, que foi devidamente documentado e registrado em cartório e nos órgãos responsáveis, caso haja necessidade apresentaremos toda a documentação comprobatória as autoridades em tempo oportuno, se solicitado”.
Até o momento, Pablo Marçal não figura como investigado ou indiciado na Operação Narco Fluxo. A PF trata a movimentação como um ponto de atenção dentro do rastreamento financeiro mais amplo do esquema. O caso segue sob sigilo judicial.
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