Greve nas federais expõe racha entre governo e servidores
Paralisação atinge 53 instituições e 150 campi; governo e categoria divergem sobre cumprimento de promessas de 2024
Servidores técnico-administrativos de universidades e institutos federais mantêm greve por tempo indeterminado em 53 instituições, distribuídas em 150 campi pelo país. A paralisação tem como pano de fundo um acordo firmado com o governo federal em 2024, ao fim de uma greve que durou cerca de três meses.
Para a categoria, compromissos daquele pacto não foram cumpridos. Para o Ministério da Gestão, as demandas foram incorporadas à legislação.
O que estava no acordo
O documento assinado em 2024 pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) previa reajuste salarial médio de 31,2% distribuído ao longo de quatro anos, além de reestruturação de carreira.
Entre as mudanças acordadas, o intervalo de progressão funcional passaria de 18 para 12 meses, com aceleração a cada cinco anos — o que permitiria atingir o topo da carreira em 15 anos.
Além das questões salariais, o acordo incluía pautas sem impacto direto na remuneração. As duas principais eram a implementação do RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências) e a adoção da jornada semanal de 30 horas.
O RSC permite progressão funcional e ganhos sem exigência exclusiva de diploma, reconhecendo atividades como gestão, ensino e pesquisa. A jornada reduzida, por sua vez, é reivindicada sem corte de salário.
O ponto de conflito
O governo afirma ter cumprido sua parte. O MGI disse à Folha que as negociações resultaram no projeto de lei 5.874, de 2025, aprovado pelo Congresso Nacional, sancionado e publicado em 31 de março de 2026. A norma prevê que o RSC será incorporado ao plano de carreira a partir de abril de 2026, com acréscimos salariais entre 5% e 23%.
A jornada de 30 horas também foi incorporada à legislação, mas com um limite: vale apenas para atividades de atendimento ao público externo. Para os servidores, a cobertura deveria ser mais ampla.
A Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil) contesta a versão governamental: “Nós não fazemos greve contra as instituições em que trabalhamos ou contra o governo, mas pelo cumprimento do acordo”, afirmou Cristina del Papa, coordenadora-geral da entidade.
A federação considera que tanto o acesso ao RSC quanto os critérios de aplicação da jornada ficaram aquém do combinado.
Quais instituições estão paradas
Entre as universidades que aderiram à paralisação estão UFRJ, UFMG, UFRGS, UFPR e Unifesp. Os impactos variam por instituição: laboratórios e serviços de comunicação estão entre as atividades afetadas. Restaurantes universitários, em sua maioria terceirizados, continuam em funcionamento.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)