Janot reage a ataques de Gilmar
Ex-procurador-geral da República endossou uma crítica da ONG Transparência Internacional - Brasil ao decano no X
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot endossou nesta quinta-feira, 16, uma crítica da ONG Transparência Internacional – Brasil ao “discurso de ódio” proferido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
“O discurso de ódio do ministro Gilmar Mendes expõe a deterioração alarmante dos padrões de decoro e responsabilidade que deveriam reger a atuação da mais alta Corte do país.
Quando um juiz utiliza sua posição para atacar a honra de um indivíduo ausente, privado de defesa, constitui uma cena estranha à tradição democrática e familiar à triste memória dos regimes ditatoriais. Nessas experiências, o poder falava sozinho e a autoridade se convertia em instrumento de intimidação.
Ainda mais grave é a naturalização reiterada desse comportamento, tolerada por seus pares e pelo Senado Federal, que deveriam exercer controle e correção. A omissão institucional diante de condutas incompatíveis com a dignidade de tão alto cargo transforma exceções em regra e corrói perigosamente a legitimidade da Corte perante a sociedade.
É a democracia constitucional que se enfraquece quando seus guardiões simbólicos do Direito abandonam os freios éticos que justificam o poder que exercem”, escreveu a ONG anticorrupção no X, destacando que Gilmar chamou Janot de “alcoólatra”.
O ex-procurador-geral compartilhou a mensagem com um emoji de agradecimento.
O ataque de Gilmar
Ao comparar a CPI do Crime Organizado à Operação Lava Jato, durante sessão da Segunda Turma do STF na terça-feira, 14, o decano chamou o ex-PGR de “alcoólatra”.
“Alguém não sabe que às três horas da tarde Janot já não estava bêbado? […] A partir das três horas da tarde, já convidava seus interlocutores para tomar uma grappa e, no final do dia, já estava bêbado”, afirmou
“Claro que a constituinte de 88 não poderia supor que daria, com a Procuradoria-Geral da República, o poder a um alcoólatra, mas assim se fez”, continuou.