“Colocaram em risco o patrimônio público”, diz Leila após prisão de ex-chefe do BRB
Senadora cobra responsabilização e mira gestão do Banco de Brasília sob comando do ex-governador Ibaneis Rocha
A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) afirmou, nesta quinta-feira, 16, logo após a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (foto), que a crise envolvendo o banco é resultado de decisões tomadas de forma pensada pela gestão e pelo Governo do Distrito Federal.
“Colocaram o BRB nessa situação de forma consciente. Estamos falando de decisões que ignoraram alertas, atropelaram critérios de governança e colocaram em risco o patrimônio público dos brasilienses”, disse.
A parlamentar também elevou o tom ao cobrar o avanço das apurações e a responsabilização dos envolvidos. “É preciso que as investigações avancem até o fim, com transparência, para que todos os envolvidos sejam responsabilizados e arquem com o prejuízo causado”, concluiu.
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Entenda
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 16, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB). Ele é um dos alvos da quarta fase da Operação Compliance Zero. À frente do BRB de 2019 a 2025, Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master.
O banco público pagou 12,2 bilhões de reais por carteiras sem lastro em operações reais do banco de Daniel Vorcaro. O executivo foi afastado do banco em novembro do ano passado, após a primeira fase da operação. Nesta nova fase da operação, a PF cumpre dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão, em São Paulo e no Distrito Federal.
Acareação com Vorcaro
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do BRB divergiram em suas versões durante a acareação conduzida pela Polícia Federal, em dezembro do ano passado, sobre a origem das carteiras de crédito vendidas pela instituição privada ao banco público. Vorcaro afirmou que não tinha conhecimento de que o Master venderia papéis da empresa Tirreno, mas sim carteiras originadas por terceiros de forma genérica. Como se apurou posteriormente, os papéis comercializados estavam desvalorizados.
Segundo Vorcaro, nunca foi informado ao BRB que as carteiras negociadas seriam originadas pela Tirreno ou pelo próprio Banco Master. De acordo com ele, o banco público foi comunicado apenas sobre uma mudança no modelo de negócios, com a venda de carteiras originadas por terceiros.
“Na verdade, a gente anunciou que a gente faria vendas naquela ocasião de originadores terceiros. A Tirreno, nem eu mesmo sabia naquela ocasião, se eu não me engano, que existiu o nome Tirreno. Acho que a gente chegou a conversar por algumas vezes, que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria”, disse.
Questionado, Paulo Henrique disse que o Master disse que os papéis eram do Master.“O entendimento que eu coloquei é que eram carteiras originadas pelo Master, negociadas com terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, afirmou o ex-diretor do BRB.
Vorcaro rebateu essa versão. Segundo ele, não houve qualquer informação sobre recompra das carteiras pelo Master.
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