Giorgia Meloni defende papa Leão e repudia falas de Trump
A premiê italiana, aliada política do republicano, classificou como “inaceitáveis” as críticas ao líder da Igreja Católica
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, entrou em rota de colisão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao condenar publicamente nesta segunda-feira, 13, as declarações feitas pelo republicano contra o papa Leão XIV.
Em publicação na rede Truth Social no domingo, 12, Trump chamou o pontífice de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”, um ataque direto ao líder de uma instituição com 1,4 bilhão de fiéis, descrito por analistas como sem precedentes nas relações entre a Casa Branca e o Vaticano.
Meloni traça linha
Em comunicado oficial, Meloni foi direta: “Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra”.
A declaração colocou a premiê em posição delicada, dado seu histórico de alinhamento com o governo americano.
A repercussão se estendeu por todo o espectro político italiano. O vice-premiê Matteo Salvini, líder da Liga e próximo de Trump, também respondeu: “Atacar o papa, símbolo de paz e guia espiritual para bilhões de católicos, não parece uma ação útil nem inteligente”.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, descreveu Leão XIV como “um homem forte e decidido, que tem falado de fé e paz desde o dia de sua eleição”.
O papa e a origem do conflito
Leão XIV se manifestou contra a guerra no Irã e pediu cessar-fogo no Oriente Médio, o que irritou Donald Trump. O republicano chegou a afirmar que não deseja “um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”.
Trump ainda sustentou que Leão XIV só ocupa o cargo por influência de sua presidência: “Leão deveria ser grato porque ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa”. O papa, por sua vez, afirmou não temer o governo americano e sinalizou que continuará a se pronunciar contra a guerra.
Questionado sobre uma retratação, Trump foi categórico: “Não devo [um pedido de desculpas], porque o Papa Leão disse coisas que estão erradas”. Horas depois, o presidente publicou em sua rede social uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece caracterizado como Jesus, ampliando a repercussão do episódio.
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