“Trump não sabe o que é um nordestino nervoso”, ameaça Lula
Em discurso feito em Sorocaba, no interior paulista, presidente recorre a referência cultural regional para reagir à postura americana
“Trump não sabe o que é pernambucano, senão ele não fazia ameaça nunca aqui. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, ele não brincaria com o Brasil”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta sexta-feira, 10, em cerimônia de inauguração de um campus do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em Sorocaba.
Ao evocar a figura do “nordestino nervoso”, Lula apelou a um símbolo cultural de resistência – ou à caricatura preconceituosa? – para garantir que o Brasil não recuaria diante de pressões externas.
Em seguida, disse que se Trump “quiser guerra, que vá para outro lado do planeta”, e reiterou que o país busca paz — não briga.
A sequência do discurso equilibrou o recado político com a reafirmação de princípios diplomáticos: “Nós não queremos guerra, nós queremos paz”, e ressaltou que a prioridade nacional é o desenvolvimento, a educação e o bem-estar da população.
Um olho na Hungria, outro nas eleições
O pronunciamento ocorreu no mesmo dia em que Donald Trump declarou disposição de usar o poder econômico dos Estados Unidos para apoiar Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, em uma eleição considerada disputada neste fim de semana.
O governo considera que as eleições parlamentares da Hungria, marcadas para este domingo, 12, são motivo de preocupação. No Palácio do Planalto, o resultado das ações do governo Trump em favor de Orbán pode indicar maior ou menor interferência nas eleições do Brasil em outubro.
O resultado das eleições húngaras interessa como indicador mais amplo sobre o avanço da direita na Europa. A avaliação é que esse movimento tem encontrado resistência em diferentes países: as eleições municipais na França registraram desempenho abaixo do esperado para o partido de Marine Le Pen, e o referendo constitucional na Itália representou uma derrota para a primeira-ministra Giorgia Meloni.
A gestão petista também monitora disputas em outros países da América Latina sob essa mesma perspectiva, avaliando possíveis desdobramentos para o ambiente político doméstico.