Dino manda prefeitura de SP explicar vínculos de Zettel e Master com funerárias
Prefeito Ricardo Nunes diz que município não tem competência para monitorar aportes em empresas privadas; audiência está marcada para abril
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou na terça-feira, 7, que a Prefeitura de São Paulo preste esclarecimentos sobre a presença do empresário Fabiano Zettel e do Banco Master no quadro de duas empresas responsáveis pela gestão de cemitérios públicos municipais.
A decisão cita a natureza do serviço prestado como justificativa para a apuração: segundo Dino, a administração funerária não pode ser comprometida por um eventual colapso financeiro das concessionárias.
O centro da questão
Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, integrou o conselho da Cortel São Paulo entre 2022 e 2025. A concessionária e outra firma, a Maya — que recebeu empréstimos do Master —, respondem juntas pela operação de dez dos 22 cemitérios públicos de São Paulo. O banco está sob investigação no STF por atos e operações financeiras.
A Cortel declarou ao Globo: “Fabiano Zettel foi conselheiro da companhia entre 2022 e meados de 2025, não mantendo atualmente qualquer vínculo com a empresa. A Cortel São Paulo informa também que não tem nenhuma exposição ao Banco Master e que suas operações em nada foram afetadas pelo colapso empresarial do referido banco”. A Maya não se manifestou.
Nunes responde
Na quarta-feira, 8, a assessoria do prefeito Ricardo Nunes divulgou nota em que redirecionou a questão ao próprio tribunal: “A Prefeitura de São Paulo sugere ao ministro Flávio Dino que pergunte aos colegas de Supremo Tribunal Federal sobre o Banco Master, que é onde se encontra a investigação sobre ações e atos do banco”.
No dia seguinte, 9 de abril, Nunes reforçou a posição que “a prefeitura não tem como saber, interferir, nos empréstimos ou aportes em empresas privadas”. O prefeito não comentou a passagem de Zettel pelo conselho da Cortel.
O STF, ao ser consultado sobre uma possível resposta de Dino à nota municipal, limitou-se a encaminhar o link do processo.
Contexto judicial
A ação que motivou a decisão foi ajuizada pelo PC do B e versa sobre a concessão do serviço funerário em São Paulo, firmada há três anos. O partido aponta cobranças abusivas e má conservação dos cemitérios. Para o dia 16 de abril, está marcada audiência de conciliação entre as partes.
A prefeitura afirmou que os serviços funerários e cemiteriais “estão em pleno funcionamento, sem nenhuma intercorrência”, e comprometeu-se a manter o papel de gestora e fiscalizadora dos contratos de concessão.
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