A cidade que lidera a industria cerâmica do Sul: única mina de carvão visitável do Brasil e colonizada por sete povos
A única mina de carvão visitável do Brasil fica numa cidade colonizada por sete povos
Em Criciúma, no sul de Santa Catarina, dá para descer 300 metros dentro de uma galeria real e subir direto para um parque de 109 mil m². A cidade transformou o passado mineiro em identidade.
A pedra que pegou fogo e mudou o destino da cidade
Em 1893, o agricultor Giácomo Sonego queimou uma coivara em sua propriedade e notou que algumas pedras continuavam fumegando. A curiosidade levou as amostras ao laboratório no Rio de Janeiro, que confirmou: era carvão mineral, conforme registra a Câmara Municipal de Criciúma.
A descoberta virou a chave da economia local e, entre as décadas de 1940 e 1970, rendeu à cidade o título de Capital Brasileira do Carvão. A extração intensa só perdeu força no fim dos anos 1990, quando outras indústrias tomaram o protagonismo.

De Cresciuma a Criciúma: 22 famílias italianas e um capim tupi
A história começou em 6 de janeiro de 1880, quando 22 famílias vindas das regiões de Veneza e Treviso, no norte da Itália, abriram picada na mata e encontraram um rio cercado por um capim alto chamado pelos indígenas de Kyruy-Syiuâ. Os colonos batizaram o lugar de Cresciuma, em referência à planta, segundo a Prefeitura de Criciúma.
O nome só virou Criciúma em 1948, por meio da lei estadual nº 247. Depois dos italianos, chegaram poloneses, alemães, portugueses, africanos, árabes e espanhóis, formando as sete etnias que moldaram o sotaque, a culinária e o calendário da cidade.
O que ver em Criciúma além das paisagens da serra catarinense?
A cidade combina memória industrial, parques urbanos e patrimônio religioso em distâncias curtas. Algumas atrações ficam a poucos minutos do centro.
- Mina de Visitação Octávio Fontana: única mina de carvão aberta à visitação pública no Brasil, com passeio em mini locomotiva por 300 metros de galeria real.
- Parque das Nações Cincinato Naspolini: 109 mil m² de área verde no bairro Próspera, com ciclovia, quadras e a locomotiva Terezinha 01 percorrendo 800 metros do parque.
- Praça Nereu Ramos: coração histórico da cidade, abriga o Monumento ao Mineiro, a Catedral São José e a Casa de Cultura Neusa Nunes Vieira.
- Museu de Colonização Augusto Casagrande: sobrado no estilo do interior italiano do século XIX, inaugurado como museu em 1980.
- Gruta Nossa Senhora de Lourdes: construída em 1946, cercada de vegetação nativa e fonte natural a poucos metros da Praça do Congresso.
Quem deseja descobrir o sul de Santa Catarina, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Prefeitura de Criciúma, que conta com mais de 3.800 visualizações, destacando os principais pontos turísticos de Criciúma:
A maior festa étnica do sul catarinense reúne sete povos
A Festa das Etnias nasceu em 1989 como Quermesse de Tradição e Cultura, reunindo cinco etnias na Praça Nereu Ramos. Anos depois, árabes e espanhóis entraram na celebração, completando os sete grupos que colonizaram o município.
Hoje o evento ocupa o Centro de Eventos José Ijair Conte e mistura gastronomia típica, danças folclóricas, trajes tradicionais e shows nacionais. É a maior festa temática do sul catarinense e parte essencial do calendário cultural da cidade.
Cerâmica, jeans e tecnologia: a economia que substituiu o carvão
Quando a extração mineral perdeu fôlego, Criciúma encontrou novo motor na indústria cerâmica. Hoje, a cidade é o segundo maior polo de revestimentos cerâmicos do Brasil, atrás apenas de Santa Gertrudes, em São Paulo, segundo o Conselho Regional de Química da IV Região (CRQ-IV).
Não para por aí. A cidade também é o terceiro maior polo nacional na produção de jeans e o maior polo estadual do setor de confecções, conforme dados da Prefeitura. A diversificação fez de Criciúma uma das principais cidades catarinenses para se fazer negócios.
Quando o clima ajuda quem visita a Capital do Carvão?
Criciúma tem clima subtropical úmido, com verões quentes e invernos amenos. As estações são bem marcadas e influenciam diretamente o que dá para fazer.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade que sustentou o sul de SC
De carro, o acesso principal é pela BR-101, que corta a região e liga Criciúma a Florianópolis, a cerca de 200 km ao norte, e ao Rio Grande do Sul, a cerca de 90 km ao sul. De avião, o Aeroporto Diomício Freitas fica no município vizinho de Forquilhinha, a 9 km do centro, e opera voos regionais segundo a Prefeitura de Forquilhinha.
Vale conhecer a cidade que virou o avesso do próprio passado
Criciúma carrega no nome a marca de um capim tupi e no subsolo a memória de quem sustentou famílias inteiras dentro das galerias. Na superfície, trocou a fuligem por parques verdes, indústria diversificada e uma mesa que reúne sete sotaques diferentes.
Você precisa descer os 300 metros da Mina Octávio Fontana e depois subir para o Parque das Nações para entender como Criciúma transformou o carvão em orgulho.
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