Zanzíbar: a ilha paradisíaca que você vai se apaixonar
Zanzíbar além das praias: cultura, Stone Town, mar e histórias de mulheres que transformam suas vidas com coragem e criatividade
Zanzíbar é aquele tipo de lugar que parece cenário de filme: praias de areia branca, mar turquesa e a expressão “Hakuna Matata” repetida o dia todo, mas por trás do clima relaxado a ilha guarda histórias de resistência, criatividade e transformação que vão muito além do cartão-postal.
Onde fica Zanzíbar e qual é a importância histórica de Stone Town?
Localizado na África Oriental, o arquipélago de Zanzíbar faz parte da Tanzânia e é formado principalmente pelas ilhas Unguja (conhecida como Zanzíbar) e Pemba. A capital, Stone Town, mistura influências árabes, indianas e muçulmanas em ruas estreitas, casas antigas e mercados movimentados.
Na orla de Stone Town, jovens que se autointitulam “Zanzibar Flippers” usam um pneu de caminhão como trampolim para treinar saltos mortais, enquanto, a poucos quilômetros dali, praias quase desertas se estendem por quilômetros. Entre as expressões “Hakuna Matata” e “pole pole” (devagar, devagar), o cotidiano combina turismo, tradição e um forte passado histórico ligado ao comércio e à escravidão.

Como o mar se tornou ferramenta de transformação social em Zanzíbar?
Na costa leste, perto do restaurante The Rock, a comunidade de Michamvi criou aulas de natação após a morte de um jovem pescador. Crianças, homens e principalmente mulheres que tinham medo das ondas aprenderam a nadar, transformando segurança em autonomia e novas oportunidades.
Na vila de Jambiani, esse aprendizado virou fonte de renda com a criação de uma fazenda de esponjas marinhas em lagoa rasa. As chamadas “mulheres abandonadas de Jambiani” passaram a dominar o mar, gerar renda estável e investir em telhados novos, alimentação melhor e educação dos filhos, mesmo enfrentando marés fortes, ouriços-do-mar e um rigoroso controle de qualidade mensal.
De que forma as mulheres de Jambiani conquistam independência com as esponjas marinhas?
A cooperativa de esponjas reúne mulheres que viviam sem apoio financeiro dos ex-maridos e praticamente sem perspectiva de trabalho. Hoje, elas limpam algas, cortam as esponjas com lâminas especiais, penduram em cordas no fundo do mar e esperam cerca de um ano até o momento da colheita e venda para hotéis e lojas locais.
O processo de cultivo e comercialização exige disciplina e conhecimento prático, e alguns detalhes ajudam a entender por que esse trabalho se tornou um símbolo de empoderamento feminino na região:

Quais curiosidades revelam o lado mais inesperado de Zanzíbar?
As portas de Stone Town contam a história da ilha: modelos retangulares ornamentados indicam influência árabe; portas em arco mostram raízes indianas; pinos de latão, inspirados na Índia, antes afastavam elefantes de guerra. Hoje, essas portas são símbolos de status, memória e identidade cultural.
A natureza também surpreende com o colobus de Zanzíbar, macaco endêmico que vive em florestas costeiras próximas a áreas turísticas. Em fazendas orgânicas, folhas de coqueiro e bananeira substituem plásticos, enquanto cocos rendem água, óleo, fibras e escovas de dente artesanais, resgatando técnicas antigas e reduzindo o uso de químicos e lixo no arquipélago.
Se você se interessa por histórias de lugares incríveis com desafios complexos, este vídeo do DW Documental, com 6,11 milhões de subscritores, é feito para você. Ele mostra os cambios y conflictos em Zanzíbar, trazendo narrativas que parecem escolhidas especialmente para revelar os contrastes e segredos desta ilha paradisíaca.
Como o orgânico, a música e o cotidiano dão nova cara a Zanzíbar?
A Lamsong Organic Family Farm envia cestas com frutas, verduras e ervas para Stone Town e bairros em expansão, defendendo o consumo sem agrotóxicos. Durante a pandemia, serviços de entrega cresceram e consolidaram um pequeno movimento de agricultura orgânica local, inspirando outros agricultores da ilha.
Na música, o taarab se mistura com jazz e soul em bandas como “City and the Band”, liderada por City Amena, que canta sobre violência doméstica e mulheres abandonadas, gravando videoclipes em bancos de areia e se apresentando em hotéis históricos. Enquanto isso, jovens acrobatas sonham com fama nas redes sociais, famílias vivem com menos de três dólares por dia e cemitérios militares em ilhas vizinhas preservam memórias coloniais, mostrando que, entre “Hakuna Matata” e “pole pole”, Zanzíbar é um laboratório vivo de cultura, desigualdades e reinvenção.