A cidade mais alemã do Brasil onde se fala um idioma que a própria Alemanha esqueceu: a vila com 233 casas centenárias de madeira e dois recordes mundiais no Guinness Book
A cidade mais alemã do Brasil guarda um idioma que a própria Alemanha perdeu, 233 casas de madeira e dois recordes mundiais
A 30 km de Blumenau, no Vale do Itajaí, Pomerode guarda 233 casas centenárias de madeira encaixada à mão, técnica trazida pelos imigrantes alemães no século XIX e hoje rara até na Europa. A pequena vila catarinense de cerca de 34 mil habitantes também acumula dois títulos no Guinness World Records, três idiomas convivendo nas ruas e o único selo Best Tourism Villages do Brasil concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Aqui, ainda se fala um dialeto que a própria Alemanha esqueceu.
Como uma colônia pomerana de 1863 virou a cidade mais alemã do Brasil?
A história começa entre 1863 e 1880, quando imigrantes da Pomerânia, região hoje dividida entre Alemanha e Polônia, desembarcaram no Vale do Itajaí. Eles vieram como expansão da colônia de Blumenau e se fixaram às margens do Rio do Testo, onde encontraram terreno semelhante ao da terra natal. O nome do povoado nasceu dali: Pomerode, em referência à Pomerânia.
O que diferencia Pomerode de outras colônias germânicas do sul do Brasil é a intensidade da preservação. Após a Segunda Guerra Mundial, a Pomerânia foi anexada pela Polônia e a população alemã foi expulsa, e o pomerano praticamente desapareceu na Europa. No Brasil, comunidades isoladas mantiveram a língua viva por gerações, e o município oficializou o pomerano como idioma cooficial em 2010 e o alemão padrão em 2017, ao lado do português.

Vale a pena viver em uma cidade com três idiomas oficiais?
Pomerode tem cerca de 34 mil habitantes e mantém uma rotina rara no Brasil: o português divide o cotidiano com o alemão e o pomerano nas ruas, nas igrejas luteranas, nas escolas bilíngues e no comércio. A cidade preserva clubes de caça e tiro fundados pelos primeiros colonos, grupos folclóricos ativos e um calendário cultural movimentado o ano inteiro.
O reconhecimento internacional reforça a vocação turística. Em 2021, a Rota do Enxaimel foi escolhida como uma das melhores vilas turísticas do mundo pela ONU Turismo, segundo a Fundação Catarinense de Cultura (FCC). Pomerode foi a única representante do Brasil entre as candidaturas mundiais e entrou na lista pela combinação de patrimônio preservado e desenvolvimento sustentável.

Os dois recordes mundiais que estão no Guinness Book
A Osterfest, festa de Páscoa que acontece entre fevereiro e abril, concentra os dois títulos certificados pelo Guinness World Records. Em 2017, a cidade entrou no livro com a maior Osterbaum (árvore de Páscoa) do planeta, decorada com mais de 100 mil casquinhas de ovos naturais pintadas à mão pela comunidade. O segundo recorde foi retomado em 2023, com o maior ovo de Páscoa decorado do mundo, de 16,72 metros de altura por 10,88 metros de diâmetro.
Os dois símbolos são montados anualmente no Centro Cultural de Pomerode e atraem milhares de visitantes durante a Osterfest. A festa é considerada a maior celebração de Páscoa do Brasil e mistura tradição religiosa, oficinas de pintura de ovos, apresentações folclóricas e a serenata Stüppen, herança do século XIX.
O que fazer na rota tombada pelo IPHAN e nas atrações da cidade
O roteiro pela cidade combina patrimônio histórico, parques temáticos e fábrica de chocolate premiada. A maioria das atrações fica entre o centro e o bairro Testo Alto.
- Rota do Enxaimel: percurso de 16 km no bairro Testo Alto com cerca de 50 casas no estilo enxaimel, tombado como conjunto rural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
- Casa Siewert: casarão enxaimel de 1913 mantido pela mesma família por gerações, aberto à visitação com móveis e objetos de época.
- Nugali Chocolates: fábrica reconhecida no International Chocolate Awards, com tour autoguiado e degustação ao final do percurso.
- Zoo Pomerode: fundado em 1932, é o mais antigo de Santa Catarina e abriga cerca de 900 animais, mantido pela Fundação Hermann Weege.
- Pórtico do Imigrante Wolfgang Weege: réplica em tamanho natural do Portal de Stettin, antiga capital da Pomerânia, na entrada norte da cidade.
- Museu Pomerano: acervo com mais de 1.200 peças que contam a saga dos imigrantes que chegaram ao Vale do Itajaí no século XIX.
Quem planeja conhecer a cidade mais alemã do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal QDestino, que conta com mais de 46 mil visualizações, onde é apresentado um roteiro completo por Pomerode, em Santa Catarina:
Quando o clima europeu marca cada estação na cidade do enxaimel
O clima subtropical do Vale do Itajaí garante quatro estações bem definidas e reforça a sensação europeia. O inverno seco é a alta temporada cultural, mas cada época tem sua vocação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do Vale Europeu catarinense
Pomerode fica a 30 km de Blumenau e a aproximadamente 170 km de Florianópolis, com acesso pela BR-101 e SC-418, em cerca de 2h30 de carro a partir da capital catarinense. Quem vem de avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional de Navegantes, a cerca de 60 km do município, e seguir por rodovia. O trajeto é todo asfaltado e dispensa veículo com tração.
Conheça a cidade onde a Alemanha do século XIX continua viva
Pomerode reúne em uma única vila o maior acervo de casas enxaimel fora da Europa, dois recordes mundiais no Guinness, três idiomas convivendo no dia a dia e um selo internacional da ONU Turismo. Poucos lugares no Brasil combinam patrimônio reconhecido, tradição preservada e charme europeu nessa proporção.
Você precisa atravessar o Pórtico do Imigrante e conhecer Pomerode, a vila catarinense onde a Alemanha do século XIX ainda atende em casas centenárias e em uma língua que a Europa esqueceu.
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