Lula aumenta pacote de bondades sobre combustíveis
Subsídios adicionais ao diesel somam até R$ 2,00 por litro, com custo estimado em R$ 10,33 bilhões para União e estados
O governo federal anunciou nesta segunda-feira, 6, uma nova rodada de subsídios aos combustíveis, com foco no diesel e no gás liquefeito de petróleo (GLP). As medidas ampliam benefícios já em vigor desde março e zeraram as alíquotas de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e o biodiesel.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que produtores nacionais de diesel passarão a receber uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro, valor que se soma ao benefício de R$ 0,32 por litro já concedido anteriormente. Para o diesel importado, o complemento será de R$ 1,20 por litro, com custo dividido em partes iguais entre a União e os estados.
Custo e duração das medidas
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, estimou que o subsídio extra ao diesel de produção nacional custará cerca de R$ 6 bilhões nos dois meses de vigência previstos. O benefício ao produto importado deve gerar uma despesa adicional de R$ 4 bilhões — cada ente federativo arcará com R$ 0,60 por litro.
Durigan afirmou que apenas dois estados ainda não confirmaram adesão ao modelo compartilhado, mas disse esperar participação unânime ao fim do processo. Para o GLP importado, o governo estabeleceu uma subvenção de R$ 850 por tonelada, com prazo inicial de dois meses, prorrogável por igual período. O custo da medida foi estimado em R$ 330 milhões.
Contexto: guerra e pressão sobre os preços
O pacote é uma resposta à alta do petróleo no mercado internacional desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo mundial, e provocou elevação nos preços dos combustíveis em cadeia.
No Brasil, a pressão chegou aos caminhoneiros, que ameaçaram paralisar atividades em razão do que descreveram como reajustes abusivos praticados por distribuidoras e postos. A categoria recuou depois que o governo, em março de 2026, zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e anunciou o primeiro subsídio de R$ 0,32 por litro — medida compensada pela criação de um imposto sobre a exportação de petróleo.
Adesão das distribuidoras ainda é problema
O efeito prático das medidas anteriores ficou limitado porque três grandes distribuidoras — Vibra, Ipiranga e Raízen — não aderiram ao programa. As empresas respondem por metade das importações privadas do combustível no país. O próprio governo reconheceu, internamente, que a ausência delas reduz a eficácia da política de contenção de preços.
A ampliação dos valores de subvenção foi desenhada para tornar a participação mais atrativa ao setor privado. O impacto sobre o consumidor final dependerá, portanto, da disposição das companhias em repassar os benefícios ao longo da cadeia de distribuição.
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