O que está escrito na Bíblia do Diabo? O maior manuscrito medieval
O Codex Gigas reúne Bíblia completa, textos históricos, medicina e fórmulas mágicas. Saiba por que o chamam de Bíblia do Diabo
Entre todos os manuscritos medievais, poucos chamam tanta atenção quanto a chamada Bíblia do Diabo, oficialmente conhecida como Codex Gigas, um volume gigantesco que mistura religião, história, medicina e até fórmulas mágicas, cercado de lendas sobre pactos demoníacos e feitos impossíveis.
O que é o Codex Gigas e por que ele impressiona
O Codex Gigas surgiu entre 1204 e 1230, provavelmente na região da Boêmia, onde hoje fica a República Tcheca, e teria pertencido primeiro ao pequeno mosteiro beneditino de Podlažice. Pela sofisticação e pelo custo, estudiosos acreditam que ele foi encomendado para esse mosteiro, mas produzido em outro local com mais recursos.
Fisicamente, é um exagero em forma de livro: mede cerca de 90 cm de altura por 50 cm de largura, pesa em torno de 75 kg e tem capas de madeira maciça revestidas de couro, reforçadas com ferragens decoradas com grifos. Seus 310 fólios de velino (cerca de 620 páginas) teriam exigido a pele de aproximadamente 160 animais, o que ajuda a dimensionar o investimento envolvido.

Como o Codex Gigas foi da Boêmia até a Suécia
A trajetória do manuscrito passa por penhoras, saques e mudanças de donos ao longo dos séculos. Depois de Podlažice, ele foi penhorado à abadia de Sedlec e, em 1295, resgatado pelo mosteiro beneditino de Břevnov, mais rico e capaz de preservá-lo por mais tempo.
Em 1594, o imperador Rodolfo II, fascinado por ocultismo, requisitou o códice para seu castelo em Praga, onde permaneceu até a Guerra dos Trinta Anos, quando tropas suecas o levaram como espólio. Em Estocolmo, sobreviveu a um incêndio em 1697 após ser atirado pela janela do palácio e hoje está na Biblioteca Nacional da Suécia, catalogado e digitalizado.

Quais são os principais conteúdos do manuscrito
Apesar do apelido, a Bíblia do Diabo não é apenas uma Bíblia: ela reúne a Bíblia completa em latim – Antigo e Novo Testamento, com livros deuterocanônicos como Baruc, Sabedoria, Eclesiástico, Tobias, Judite e 1 e 2 Macabeus. Na época, ter todo esse material em um único volume era algo raro e impressionante.
Além do texto bíblico, o códice inclui obras como as Antiguidades Judaicas e a Guerra Judaica de Flávio Josefo, que funcionam como complemento histórico ao Antigo Testamento, e as Etimologias de Isidoro de Sevilha, uma espécie de enciclopédia medieval sobre gramática, filosofia, geografia, cosmologia e outros temas.
Que outros textos e curiosidades aparecem no Codex Gigas
O manuscrito também traz um compêndio de textos médicos, incluindo os Aforismos de Hipócrates, seguido do Novo Testamento e de uma crônica sobre a Boêmia atribuída a Cosmas de Praga. Há textos breves, como uma longa lista de pecados para confissão, acompanhada de uma oração pedindo perdão e misericórdia.
Essa seção antecede a dupla de páginas mais famosa: de um lado, a Jerusalém celeste; do outro, a figura do diabo em página inteira, cercada de motivos simbólicos. Depois dela aparecem feitiços e fórmulas mágicas, um calendário de santos, um necrológio de figuras importantes da Boêmia e anotações marginais registradas ao longo dos séculos.
O manuscrito conhecido como Bíblia do Diabo desperta fascínio e controvérsias por seu conteúdo incomum. Neste vídeo do canal Estranha História, com 1,06 milhão de inscritos, são explorados os textos, símbolos e curiosidades desse manuscrito medieval, revelando mistérios e interpretações históricas que intrigam estudiosos até hoje.
Por que o Codex Gigas é chamado de Bíblia do Diabo
O apelido vem principalmente da imagem monumental do diabo e das lendas sobre seu suposto autor, o monge Hermanus Inclusus, que teria prometido escrever o livro em uma única noite. Diante da impossibilidade, ele teria recorrido ao diabo, oferecendo a própria alma em troca da obra pronta, o que explicaria o tamanho, a unidade gráfica e a aura sombria do códice.
Com o tempo, essas histórias foram se misturando a relatos de visões sobrenaturais em bibliotecas, tradições sobre emparedamento de monges pecadores e narrativas de milagres de salvação em incêndios e guerras. Tudo isso consolidou a fama de que o volume estaria, de alguma forma, ligado a forças demoníacas ou a um pacto oculto.
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