Os Vingadores e Os Farofeiros
Quem poderá proteger o cinema brasileiro do ataque dos Vingadores?
O ministro da Cidadania, Osmar Terra, assinou nesta segunda (6) a cota de tela – a regra que obriga cinemas brasileiros a exibirem uma certa quantidade de filmes nacionais por ano. A informação é da Folha.
Os valores exatos ainda serão publicados no Diário Oficial.
Em todo mês de dezembro era publicado um decreto com o número de dias de cota de tela que teriam de ser observados no ano seguinte. Como se pode conferir no site da Ancine, porém, em 2018 não houve decreto para 2019. Agora vai haver.
O decreto que vigorou em 2018 determinou, por exemplo, que um cinema de uma única sala dedicasse no mínimo 28 sessões do ano ao cinema nacional, sendo pelo menos 3 filmes diferentes. Já um complexo de 6 salas precisaria cumprir 378 sessões, somando no mínimo 9 títulos brasileiros. O texto também limitava o número máximo de salas que poderiam exibir o mesmo filme.
Como quase toda fonte de atraso no Brasil, a cota de tela foi inaugurada na ditadura Vargas. Em 1950, por exemplo, cada sala deveria exibir ao menos seis filmes brasileiros por ano. O número, claro, aumentou ao longo do tempo.
Em tese, a cota de tela serve para aumentar as oportunidades para brasileiros assistirem a filmes produzidos no seu próprio país. Na prática, o público vai assistir a produções de grande estúdios, protagonizadas por astros da TV aberta e do YouTube.
Quem poderá proteger o cinema brasileiro do ataque dos Vingadores? Uma olhada nos filmes nacionais de maior bilheteria em 2018 pode nos ajudar a adivinhar:

1. Nada a Perder. Público: 12,1 milhões. (Ranking geral: 2º, atrás de Vingadores: Guerra Infinita).
A cinebiografia de Edir Macedo se tornou grande sucesso de bilheteria. Mas o jornal O Globo, por exemplo, visitou salas de cinema na época e viu que estavam quase vazias. A Igreja Universal negou que estaria distribuindo ingressos para os fiéis.

2. Os Farofeiros. Público: 2,6 milhões. (Ranking geral: 16º, atrás de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindenwald).
Sinopse: “Ao decidirem alugar uma casa de praia para passar algum tempo, quatro famílias brasileiras consideradas da classe média baixa acabam se metendo em uma cilada”.

3. Fala Sério, Mãe!. Público: 2,3 milhões. (Ranking geral: 18º, atrás de Missão: Impossível – Efeito Fallout).
Sinopse: “Ângela e Malu são mãe e filha, melhores amigas e o maior pesadelo uma da outra”.

4. Tudo por um Pop Star. Público: 1,1 milhão. (Ranking geral: 29º, atrás de Jogador Nº1).
Sinopse: “A banda pop masculina Slavabody Disco Disco Boys, febre entre as mocinhas de todo o Brasil, anuncia que irá tocar no Rio de Janeiro. Fãs de carteirinha do grupo, as adolescentes e melhores amigas Gabi (Maísa Silva), Manu (Klara Castanho) e Ritinha (Mel Maia) farão de tudo para que seus pais deixem que elas saiam da cidade em que moram para assistir ao show do grupo”.

5. Uma Quase Dupla. Público: 642 000. (Ranking geral: 44º, atrás de Han Solo: Uma História Star Wars).
Sinopse: “Quando uma série de assassinatos abala a rotina da cidade de Joinlândia, o calmo e pacato subdelegado Claudio (Cauã Reymond) receberá a ajuda da destemida e experiente investigadora Keyla (Tatá Werneck) nas investigações. No entanto, a diferença de ritmo e a falta de química dos dois só atrapalhará a solução do caso”.
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Em tempo: em dezembro, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da Ancine, no Rio.
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