Dragão azul causa fechamento de praias no país
Banhos de mar na Europa, especialmente na Península Ibérica, passaram a ocorrer na companhia do dragão azul
Banhos de mar na Europa, especialmente na Península Ibérica, passaram a ocorrer na companhia do dragão azul (Glaucus atlanticus).
Essa pequena lesma-do-mar fascina pela cor intensa, mas pode provocar queimaduras dolorosas, levantando dúvidas entre banhistas, autoridades costeiras e pesquisadores.
O que é o dragão azul e como ele vive
O dragão azul é um molusco gastrópode pelágico que vive em mar aberto, flutuando de cabeça para baixo próximo à superfície. Ele se desloca passivamente com correntes e ventos, mantendo-se onde suas presas são mais abundantes.
A face voltada para o céu é prateada, confundindo-se com o brilho da água. Já a parte inferior é azul intensa, camuflando o animal para quem o observa de baixo, em um padrão de contra-sombreamento típico de organismos pelágicos.
Glaucus atlanticus is a pelagic mollusk that floats upside down by using the surface tension of the water to stay up. It makes use of countershading and feeds on other pelagic creatures, including the Portuguese man o' war and other venomous siphonophores https://t.co/Y9d4vIUdi9 pic.twitter.com/6ay3XAzYfC
— Massimo (@Rainmaker1973) November 14, 2020
Como é a aparência e a defesa do dragão azul
O corpo do Glaucus atlanticus possui projeções finas chamadas ceratas, que lembram braços delicados. Essas estruturas ampliam a superfície corporal, ajudam na flutuação e têm importante função defensiva.
Ao se alimentar de caravelas-portuguesas e outros sifonóforos, o dragão azul retém nas ceratas células urticantes intactas. Assim, monta um arsenal químico concentrado, mais potente que o de suas presas originais, o que afasta predadores e representa risco ao ser humano.
O dragão azul queima mesmo e quais são os sintomas
Sim. O dragão azul pode causar queimaduras ao ser manuseado ou pisado, mesmo já encalhado na areia. O contato aciona os nematocistos armazenados nas ceratas, liberando toxinas na pele.
As reações mais comuns incluem dor imediata e sensação de queimadura intensa. Em pessoas sensíveis, podem ocorrer sintomas sistêmicos, que exigem maior atenção clínica.
Quais cuidados ter em caso de contato com o dragão azul
Em caso de suspeita de queimadura por dragão azul ou caravela-portuguesa, algumas medidas simples reduzem a dor e a liberação de toxinas. Elas não substituem avaliação médica, mas ajudam nos primeiros minutos.
- Retirar a pessoa da água e mantê-la em local seguro e arejado.
- Não esfregar a área afetada para não romper mais células urticantes.
- Remover tentáculos com cartão ou objeto rígido, sem usar a mão desprotegida.
- Lavar com água do mar, evitando água doce, que pode ativar mais nematocistos.
- Observar sinais de alergia, falta de ar, tontura ou desmaio e buscar emergência.
O canal El Robot de Linneo compartilhou registros do dragão azul em seu canal:
Por que o dragão azul aparece mais na costa espanhola
Registros do dragão azul em praias espanholas aumentaram desde os anos 2000, sobretudo em períodos de água mais quente e após ventos fortes. Alterações nas correntes e no clima influenciam diretamente a rota de caravelas-portuguesas e, por consequência, desse molusco.
Programas de monitoramento usam fotos e localização enviadas por banhistas para mapear ocorrências e isolar o acesso às praias. Esses dados orientam sinalizações de risco, campanhas educativas e estudos sobre como espécies pelágicas respondem ao aquecimento dos oceanos.
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