Por que é impossível salvar Veneza?

06.04.2026

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Por que é impossível salvar Veneza?

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 04.04.2026 07:54 comentários
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Por que é impossível salvar Veneza?

Conheça o Projeto MOSE e outras soluções para proteger a cidade de canais mais ameaçada pelo aquecimento global

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Por que é impossível salvar Veneza?
Como Veneza resiste a inundações e ao afundamento constante - Créditos: depositphotos.com / pandionhiatus3

Veneza parece um cenário de filme com gôndolas, canais e casinhas coloridas, mas por trás da imagem de cartão‑postal esconde um laboratório vivo sobre o futuro das cidades costeiras, em que engenharia improvável, mudanças climáticas, história de fuga e incertezas sobre o amanhã se misturam.

Por que Veneza é considerada uma cidade em risco de extinção

Entre tantas “Venezas” espalhadas pelo mundo, apenas a original foi construída dentro de uma lagoa frágil, onde maré alta e aquecimento global formam uma combinação perigosa. A Praça de São Marcos, ponto mais baixo da cidade, enfrenta inundações em torno de 250 vezes ao ano, sinal claro de um ambiente cada vez mais hostil.

Enquanto a cidade afunda em média 1 milímetro por ano, o grande problema atual é a elevação do nível do mar, que faz Veneza passar mais tempo submersa e pressiona estruturas antigas. Esse cenário a transforma em símbolo dos desafios que metrópoles costeiras podem enfrentar nas próximas décadas.

Como Veneza foi construída sobre um terreno tão instável

Veneza se espalha por pequenas ilhas cortadas por canais, sem carros e sem ruas asfaltadas, conectando seus seis “sestieri” apenas por becos, pontes e barcos. O que sustenta tudo isso é uma floresta invisível de madeira fincada no lodo, base engenhosa para uma cidade inteira.

Por que é impossível salvar Veneza?

Quais soluções tentam proteger Veneza das inundações constantes

Com prédios antigos sustentados por fundações delicadas, muitas torres e fachadas estão tortas, porque algumas partes do solo afundam mais que outras. Para evitar rachaduras e desabamentos, é comum ver barras de ferro atravessando construções e “amarrando” paredes como cintos de segurança urbanos.

O Projeto MOSE, sistema de barreiras móveis entre a lagoa e o mar Adriático, foi criado para conter marés acima de cerca de 1,10 metro. Apesar de reduzir alagamentos desde 2020, ele é caro, polêmico e traz dilemas ambientais, pois ao bloquear a água do mar também diminui a renovação dos canais e aumenta o risco de transformar a lagoa em um pântano estagnado.

Como é o cotidiano dos moradores em uma cidade sem carros

Por trás das multidões de turistas, Veneza funciona como uma cidade pequena onde tudo depende da água. O transporte público é feito por barcos com linhas e horários definidos, e o lixo é recolhido manualmente, sendo levado em sacos até embarcações de coleta que o transportam para fora da cidade.

A quase ausência de árvores revela a fragilidade do solo, que não suporta raízes profundas sobre a floresta de estacas. Parte do esgoto doméstico ainda vai para os canais, o que torna essencial a circulação da água da lagoa e alimenta preocupações sobre cheiro, saúde e qualidade de vida caso o fluxo diminua.

Se você quer entender os desafios que ameaçam uma das cidades mais icônicas do mundo, este vídeo do canal Via Infinda, com 2,28 milhões de inscritos, foi escolhido especialmente para você. Ele explica por que ninguém consegue salvar Veneza, revelando a verdade sobre as inundações, a preservação histórica e os impactos ambientais que complicam sua sobrevivência.

Como história, arte e adaptação mantêm Veneza de pé até hoje

A cidade nasceu no século V como refúgio contra invasões após a queda do Império Romano do Ocidente, quando populações fugiram para ilhas da lagoa buscando proteção. Locais hoje quase vazios, como Torcello, lembram esse passado de adaptação constante em um ambiente hostil.

Mesmo cercada por água salgada, Veneza criou cisternas engenhosas para captar água da chuva nas praças e abriga obras marcantes, como a imensa pintura de Giovanni Antonio Fumiani em San Pantaleone. Há cerca de 1600 anos, a cidade sobrevive à base de remendos, inovação permanente e uma relação tensa, mas íntima, com a água que a ameaça.

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