Anvisa proíbe venda de lotes falsificados de Mounjaro
Agência regulatória atua após fabricante identificar produtos com características distintas do original circulando no mercado brasileiro
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quinta-feira, 2, a apreensão de lotes falsificados do Mounjaro, medicamento prescrito para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, em resposta a um pedido da farmacêutica norte-americana Eli Lilly, detentora do registro no Brasil.
A empresa informou à Anvisa que unidades com características distintas das do produto original estavam sendo comercializadas. Entre as irregularidades apontadas estão números de série não reconhecidos nos sistemas internos da Eli Lilly e divergências nas embalagens em relação ao padrão oficial.
Lotes apreendidos
Os lotes alvo da medida são o D85683, do Mounjaro convencional, e os lotes D880730 e D840678, da versão KwikPen multidose. A Anvisa informou que os fabricantes dos produtos adulterados ainda não foram identificados.
A agência também proibiu a fabricação, importação, comercialização, divulgação e o uso do Tirzec, caneta emagrecedora produzida no Paraguai. O produto era anunciado sem registro sanitário no Brasil e tem origem em empresa sem identificação nos registros da Anvisa.
Investigações em andamento
Este é mais um dos alertas sanitários que a Anvisa acompanha. Em fevereiro, o órgão confirmou a abertura de investigação sobre 65 mortes suspeitas associadas ao uso de medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida — período que vai de dezembro de 2018 a dezembro de 2025.
Parte dos casos envolve produtos fabricados por farmácias de manipulação sem autorização para esse tipo de produção. Há também registros de canetas injetáveis que chegam ao Brasil por contrabando, vindas de outros países da América do Sul, e são distribuídas por canais clandestinos.
A Eli Lilly, por sua vez, já havia informado que a bula do Mounjaro lista a pancreatite aguda — inflamação do pâncreas — como reação adversa incomum. A empresa recomenda que pacientes em tratamento informem o médico diante de qualquer sintoma suspeito e interrompam o uso do medicamento até avaliação.
A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, do Wegovy e do Saxenda, declarou em comunicado que “embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança”.
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